Domingo, 1 de Fevereiro de 2009

A Arte da Antiguidade Clássica - Arte Romana (Continuação)

 

ESCULTURA

 

- A escultura romana revela características realistas, centradas na personalidade do indivíduo, com influências da arte etrusca e da arte grega do período clássico e, principalmente, helenístico, porque os Romanos preferiram o realismo emocional da representação à perfeição idealizada e quase "sagrada", pois aquele estava mais de acordo com o seu espírito prático e pragmático;

- Mais realista que idealista, a estatuária romana teve o seu maior êxito nos retratos, normalmente em forma de busto. Reproduziam exactamente o modelo, acentuando até os “defeitos”, as “disformidades” e as características fisionómicas dos olhos, das sobrancelhas, da boca, barba e cabelo, bem como marcas do tempo e do sofrimento humanos. Deste modo a escultura romana conseguiu atingir o seu propósito: eternizar a memória dos homens através de imagens reais que evidenciavam o carácter, a honra, a glória e a psicologia do retratado, com um carácter quase fotográfico;

- No séc. I a.C., durante o governo de Octávio César Augusto, o retrato começa a sofrer mudanças e a mostrar nítidas influências do ideal grego, sobretudo no retrato oficial: visto que os imperadores se tornavam deuses após a morte, os seus retratos e estátuas apresentavam-no de um modo mais classizante, mais idealizado e mais divino, mas por outro lado também mais grave, para ser admirado, respeitado e honrado; as figuras adquiriram uma pose mais triunfal, majestosa e bela, embora, algumas partes do corpo, principalmente a cabeça, continuassem plenas de verismo, mostrando as feições naturais do representado. Feitos em materiais como a pedra e o bronze e cunhados em moedas, os retratos foram o espelho do poder imperial e um elemento de unificação do território, pois os retratos do imperador chegavam a todas as partes do império;
- A época do Alto Império ficou marcada pela grande produção escultórica e pelo facto de, pela primeira vez, se poder falar em consumo privado de Arte e no gosto pela obra de arte em si mesma, desenvolvendo-se a paixão pelo coleccionismo, bastante "banal" nos tempos de hoje;

- A decadência do império (sécs. IV e V d.C.) correspondeu a uma fase de simplificação na escultura: as figuras começaram a apresentar uma grande influência da estética oriental, com o seu frontalismo e hieratismo e feições mais abstractas e simplificadas, principalmente no retrato; houve também uma perda progressiva da noção de perspectiva e profundidade. O Cristianismo também marcou esta fase com o seu esquematismo e simbolismo da figuração, pois os seus conceitos de imortal e espiritual, converteram a representação humana em símbolos; deste modo o retrato oficial perdeu a sua carga de individualidade;

- Dividiu-se em três tipologias:

  • As estátuas e as estátuas equestres, que possuíam funções públicas - documentais, celebradoras, comemorativas e, por vezes, decorativas - e eram plenas de verismo e um certo idealismo. Em qualquer uma delas sobressai principalmente o retrato propriamente dito, que se pauta por um grande realismo, não descurando a fisionomia do rosto e enfatizando a descrição da personalidade do representado sobretudo nos olhos e na expressão do olhar. Os romanos fizeram também cópias de muitas estátuas gregas, pelo grande encanto e admiração que tinham por elas;

Estátua-retrato de Augusto de Prima Porta, séc. I a.C e a estátua do patricío Barberini, 30 a.C, respectivamente

 


Pormenor da estátua-retrato de Augusto como Pontífice Máximo

 

 

 

Busto de Marco Aurélio, de Brutus Capitolino e de Júlio César, respectivamente

 

 Estátua de Dionísio, cópia romana de uma obra grega

 

Estátua equestre em bronze de Marco Aurélio, séc. II d.C.

 

 

Fragmentos da estátua colossal de Constantino

 

  • Os relevos, que tinham funções ornamentais, comemorativas e narrativas ou históricas e recorreram a algumas técnicas usadas na pintura: conseguiram obter profundidade e efeitos de perspectiva através da gradação dos planos, em conjunto com diferentes tipos de relevo (alto, médio e baixo, até ao esmagamento) e utilizaram a figura em escorço, principalmente nas cenas militares, de modo a transmitirem a noção de esforço e sofrimento. A narração decorria em cenas contínuas onde a figura principal se encontra repetida, as figuras secundárias dispostas lado a lado e as restantes colocadas em planos mais recuados. As figuras eram produzidas de modo fidedigno e demonstravam o grande gosto dos romanos pela representação minuciosa e verista. 

Pormenor de um dos relevos do Arco de Tito

 

 

Relevos do Ara Pacis, altar da paz

 

Detalhe do relevo romano "Marco Aurélio e os bárbaros", séc. II d.C.

 

 

Publicado Por Cíntia Pontes às 22:31
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