Terça-feira, 9 de Dezembro de 2008

O Pártenon e Atena Niké

 

Situados no alto da cidade, na acrópole de Atenas, estes templos são dois dos exemplos máximos do génio grego e da perfeição alcançada na arquitectura.

 

 

TEMPLO DO PÁRTENON

 


 

O Templo do Pártenon foi reconstruído sobre estruturas já existentes, no tempo de Péricles, para celebrar a vitória contra os Bárbaros. Pretendia ainda simbolizar a hegemonia de Atenas sobre as restantes cidades gregas no que se refere à cultura, à capacidade naval, ao comércio e à política em que se destacava a sua organização democrática.

O seu nome significa "casa da virgem" e foi dedicado a Athena Pallas, deusa dos atributos guerreiros e da sabedoria, guardiã e protectora da cidade-estado Atenas.

Esta construção assinala o apogeu da arquitectura grega, sendo o edifício mais carismático e esbelto e o maior templo da Grécia Antiga, e demorou 11 anos (447-436 a.C.).

Os artistas que se destacaram na sua construção e decoração foram o escultor Fídias e os arquitectos Íctino e Calícrates.

É um templo dórico, cujas colunas têm um capitel geométrico e muito simples, em forma de almofada. É ainda períptero, por ter colunas a toda a volta, e octástilo pois possui oito colunas na fachada anterior, de entrada, e posterior, e dezassete - o dobro mais uma - nas fachadas laterais; assenta sobre uma plataforma com três degraus e possuia uma rampa de acesso.

 

 

O edíficio é rodeado por uma colunata que ladeia o peristilo, suporta a arquitrave, o friso e a cornija e que lhe confere um carácter particular, onde se une força, robustez e elegância.

O seu corpo central é dividido em três espaços: o pronaos, o naos ou cella, que continha a estátua criselefantina (feita em ouro e marfim) de 12 metros de altura, da deusa Atena Parteno, executada por Fídias, e o opistódomos onde se encontrava guardado o tesoura da "Liga de Delos", que estava a cargo de Atenas. O pronaos e o opistódomos abrem-se sobre um pórtico interno com seis colunas.

 

A cobertura do templo era feita por um telhado de duas águas, que formava os frontões triangulares que eram preenchidos por relevos. Era decorado com cores vivas tais como o vermelho, o azul e o dourado e foi construído em mármore branca que com o tempo adquiria um suave tom dourado.

Reconstituições feitas a computador do templo do Pártenon, com as cores e decoração originais

 

A decoração esculpida encontra-se nos frisos e nos frontões: no friso exterior estão representadas quatro lendas bélicas - na fachada meridional, a luta dos Centauros contra os Lápitas, na fachada ocidental a luta dos gregos contra as Amazonas, na fachada setentrional a tomada de Tróia e na fachada oriental a luta dos Deuses contra Gigantes; no friso interior, ao longo longo da parte superior das paredes exteriores da cella, situa-se o friso jónico contínuo da Procissão das Grandes Panateneias (personagens e animais, organizados em desfile transportando o novo manto em ouro que as jovens atenienses ofereciam à deusa Atena, de quatro em quatro anos); no frontão este está representado o nascimento de Atena, saindo da cabeça de seu pai, Zeus, e no frontão oeste, a disputa da Ática por Atena e Poseídon.

 

Colunas dóricas do templo

 

Pormenor do frontão, dos frisos e das colunas do templo

 



Relevo da fachada meridional - Luta dos Centauros contra os Lápitas

 

 


Relevos das paredes exteriores da cella - Procissão das Grandes Panateneias

  


Detalhe da parte superior do templo, mostrando a inserção do relevo nas métopas

 

Os deuses a assistir á Procissão das Panateneias (fig. cima - Poseídon, Apolo e Artemisa; fig. baixo - Atenas e Hefestos)

 

Relevo da fachada setentrional a tomada de Tróia

 


Relevos do frontão do templo

 

 

Toda a estrutura do templo do Pártenon pode ser lida de uma maneira significativa: o povo eram as colunas; o conjunto dos pórticos de entrada, encimados pelo frontão e colocados paralelamente, funcionavam como orgãos do tear, que era o símbolo de todos os lares gregos; e, por último, o engrossamento das colunas, provocado pela entasis, sugerem visualmente as velas de um barco insufladas pelo vento, que simbolizam o poder bélico e económico de Atenas.


 

 

 

O TEMPLO DE ATENA NIKÉ

 

O templo de Atena Niké ou Niké Áptera (que significa vitória sem asas) é um hino á deusa Niké e à feminilidade que a ordem jónica representa.

 

Construído entre 432 e 420 a.C., o templo ergue-se no muro oriental da muralha da acrópole de Atenas e seguiu o plano do arquitecto Calícrates.

O templo era rodeado por uma balaustrada (espécie de varanda), mais tardia que o templo, que tinha como objectivo proteger os peregrinos do precipício a que se elevava o templo.

Reconstituição feita a computador mostrando a aspecto original do templo com a balaustrada á volta

 

É um templo de dimensões reduzidas, localizado á direita da entrada da acrópole e enquadrado obliquamente em relação ao Propileus (entrada monumental para a acrópole).

Enquadramento do templo no Propileus

 

 

Construído em mármore pantélico, é um templo jónico anfipróstilo, pois possui quatro colunas nas fachadas principal e posterior, que se destaca pela extrema simplicidade.

 

 

Devido ao reduzido espaço para a sua construção, o templo continha apenas uma pequena cella, sem opistódomos.

 

 

A sua requintada decoração, concentrada no friso, é uma obra do escultor Agorácrito. O friso é uma faixa contínua onde aparecem representados os deuses do Olimpo, sentados ou de pé, seguindo atentamente as batalhas entre Gregos e Persas. A balaustrada do templo era decorada com uma série de vitórias aladas (nikái), cujas personagens possuiam atitudes graciosas e grande harmonia de proporções, erguendo troféus e celebrando sacríficios.

Frisos do templo decorados com cenas das batalhas entre Gregos e Persas

 

 

Nos frontões a decoração possuia uma temática diferente: a este, a dos gigantes, e a oeste, a das amazonas.

A decoração esculpida deste templo é um verdadeiro hino à beleza e à harmonia.

Um dos seus mais famosos relevos é a "Niké desapertando a Sandália".

 

Estas figurações não são apenas corpos estruturais envolvidos  em vestuário, mas sim formas moldadas por drapeados flutuantes e transparentes, que fazem sobressair uma sensualidade subtil, que anuncia a arte do séc. IV a.C.

 

 

 

Publicado Por Cíntia Pontes às 15:09
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Quinta-feira, 27 de Novembro de 2008

O Estádio e o Teatro Grego

 

O estádio e o teatro eram duas das instituições socioculturais mais importantes da cidade grega, pois neles se celebravam inúmeros e programados concursos e festivais que faziam parte do culto cívico, cultural e religioso.

Os maiores santuários da cidade possuiam na sua área os teatros e estádios, a par de templos, tesouros, oráculos, hipódromos e acomodações para sacerdotes e peregrinos. Em todos eles havia celebrações de festivais que se realizavam na data de aniversário do Deus a que eram destinados, dos quais faziam parte cerimónias religiosas, concursos ginasiais, hípicos e atléticos, concursos líricos e musicais, de tragédia e comédia e, por vezes, também concursos de beleza para homens e mulheres.

 

 

O ESTÁDIO

 

Os estádios eram construções destinadas á prática de jogos. A formação escolar grega incluía aprender a ler, escrever, contar, tocar um instrumento, cantar, recitar, dançar e praticar exercício físico nos ginásios, a fim de se prepararem para a Guerra e também para os jogos.

Nos jogos só podiam participar os cidadãos gregos que fossem membros da boa sociedade e tivessem boa consciência para com os homens e para com os Deuses; por isso os atletas não eram profissionais.

Os melhores recebiam coroas de oliveira ou de loureiro e a admiração e estima dos seus compatriotas, pois conseguiram ultrapassar os seus próprios limites na procura da excelência, atingindo o supremo valor do pensamento grego. Além disso, eram também imortalizados pelos poetas nos seus cantos de vitória e pelos escultores nas suas estátuas.

No séc. IV a.C, por várias razões, as competições desportivas decaíram e os participantes passaram a ser profissionais. Em 393 a.C., o imperador Teodósio proibiu estes jogos, considerando-os pagãos.

 

Estádio de Epidauro, sécs. V e IV a.C.

 

 Estádio de Delfos, séc. V a.C.

 

 Ruínas do Estádio de Olímpia

 

 Estádio de Priene, período helenístico

 

 

O TEATRO

 

O teatro (theatron - local onde se vai para ver) nasceu no séc. VII e revestiu-se de grande importância entre os gregos, por diversas razões. Pensa-se que está relacionado ao culto do Deus Dionísio (Deus do Vinho).

Pisístrato e Péricles foram os dois grandes impulsionadores do teatro em Atenas. O primeiro organizou os primeiros concursos dramáticos em 534 a.C., e o segundo foi o grande defensor do teatro, nomeadamente com o theórikon (Péricles oferecia bilhetes aos mais pobres, para que estes também podessem assistir ao espectáculo).

O teatro tinha uma função cultural e de formação cívica e religiosa dos espectadores, levando-os a pensar e a reflectirem sobre o sentido da existência humana, o destino do Homem, o poder dos Deuses e a vingança destes sobre quem os desafiasse. Era também através do teatro que se ensinavam as virtudes aos cidadãos (ética, moderação, humanismo, pacifismo, sabedoria, coragem, entre outras), levando-os também a reflectir sobre os vícios dos homens (adultério, ambição, maldade, desrespeito pelas leis e pela religião, entre outros).

Os concursos estavam a cargo de um grupo de altos magistrados e cidadãos ricos (coregia), que escolhia as peças, nomeava os actores e financiavam o espectáculo.

Os actores ou hipócritas eram sempre homens e interpretavam na mesma peça vários papéis, inclusivé papéis femininos, por isso usavam uma grende variedade de trajes e também máscaras que os ajudavam a caracterizar a personagem.

Existia também o coro, que dançava e cantava ao som do oboé, pois poesia, dança e música estão sempre interligados.

As representações duravam quatro dias seguidos, sem entreactos ou intervalos; tinham sempre uma assistência muito concorrida, atenta, divertida e participativa.

Os primeiros teatros eram construções bastante simples: a orquestra ficava no ponto mais baixo, em terra batida; as bancadas eram em madeira ou cávea e estavam dispostas em semicírculo nas vertentes naturais; e o palco ou cena era uma espécie de estrado com uma tenda que servia de cenário e camarim para os actores. Os teatros em pedra surgiram apenas do final do séc. V a.C., nas cidades e nos santuários, construídos no declive das colinas, pois a depressão geográfica criava boas condições acústicas e propiciava a visão total do espaço, e virados para o mar ou para a montanha, pois a paisagem natural integrava o cenário.


 

A tragédia é o género mais antigo e atingiu o seu apogeu no tempo de Péricles pois este considerava o teatro uma verdadeira instituição pública com fins cívicos e religiosos, para além de promover também a cultura dos cidadãos atenienses. A tragédia era escrita em verso e o seu conteúdo estava quase sempre ligado ás antigas histórias religiosas, representando a vida dos deuses e a loucura e insensatez do Homem, numa luta constante entre as forças humanas e as forças divinas e do destino que, devido ao fatalismo e à maldição, se impõe.

O enredo, descrito em tensão crescente, prende o espectador que vai pressentindo a iminência da catástrofe.

Dentro deste género os principais representantes são:

Ésquilo (525-456 a.C.), conhecido como o verdadeiro criador da tragédia grega;  as suas peças mais conhecidas são: "Os Persas" e "Prometeu Acorrentado";

 

Sófocles (495-405 a.C.), o autor mais premiado. As suas obras mais conhecidas foram: "Ajax", "O Rei Édipo" e Antígona", onde descreve o homem comum, com carácter e sentimentos, numa construção perfeita e de grande sentido dramático, onde o suspense está sempre presente;

 

Eurípedes (485-406 a.C.), que em obras como "Medeia" e "Electra", realçou o papel da mulher, questionou a religião e a tradição, incentivando e provocando no espectador a admiração e o respeito pelo cidadão e pelo camponês humilde e digno, que, numa atitude revolucionária, lutam contra o destino e contra os ricos, pela defesa da igualdade política e pela justiça social.

 

Outro género do teatro foi a comédia, mais tardia e menos duradoura que a tragédia. O seu conteúdo estava principalmente ligado aos assuntos do quotidiano e da vida terrena, ridicularizando com um grande espírito crítico e liberdade os vícios, hábitos, modas e atitudes dos políticos, filósofos, escritores e até dos deuses.

 

Neste género o seu principal representante foi:

Aristófanes (445-385 a.C.), conhecido pela sua fecunda inspiração, virtuosismo verbal, liberdade de linguagem, veia cómica e impiedosa sátira e por questionar a actualidade política e social e elogiar a excelência dos costumes antigos; as suas principais obras são: "A Rã", "As Moscas na Figueira", "A Assembleia de Mulheres" e "Os Cavaleiros".

 

 


Teatro de Dionísio

 

Teatro de Mileto

 

Teatro de Pérgamo

 

Publicado Por Cíntia Pontes às 03:04
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Sexta-feira, 5 de Setembro de 2008

ACONTECIMENTO - A Batalha de Salamina (480 a.C.)

 

 

Após a morte de Dario, rei dos Persas, em 486 a.C., sucedeu-lhe Xerxes, seu filho, que com uma atitude imperialista pretendia continuar com o plano de conquistar as cidades da Ásia Menor e da Grécia continental.

Com o objectivo de conquistar a Grécia, Xerxes preparou um vasto exército com uma infantaria bem equipada e com 1207 barcos, em que a sua tripulação reunia persas, assírios, árabes, egípcios, lídios e indianos.

Entretanto formou-se a Liga de Delos constituída por várias cidades gregas como Atenas, Esparta e Egina que se uniram e preparam para oferecer resistência.

O exército de Xerxes, saindo da Pérsia, atingiu a margem do continente vizinho, passou o Estreito de Helesponto (antigo nome do estreito de Dardanelos na Turquia) e preparou-se para a conquista. Na passagem por Termópilas derrota os Espartanos e ao chegar á Península da Ática derrota também os atenienses e destrói grande parte da cidade de Atenas. Alguns atenienses conseguem fugir para a ilha de Salamina (Costa Ocidental da Ática, Golfo da Egina), onde se refugiam.

Temístocles (comandante chefe da frota ateniense), com grande astúcia, consegue atrair o exército de Xerxes para a zona de Salamina, pois pensava que aí seria fácil derrotá-los.

Xerxes e a sua armada entram no Golfo de Salamina, no dia 29 de Setembro de 480 a.C., onde os esperam cerca de 300 barcos gregos (trirremes), leves, ágeis e velozes, que os cercaram, deixando-os sem espaço para manobras.

Os gregos, apesar da diferença numérica em relação aos persas e do grande poder bélico deste povo, conseguiram vencê-los com inteligência, estratégia, coragem e velocidade.

Esta vitória e o fim das Guerras Persas garantiram á Grécia a sua independência em relação aos persas.

Atenas é considerada a salvadora da Grécia e assume a liderança e a hegemonia ao criar a Liga de Delos (478 a.C.).

A cidade foi reconstruída e assegurou a sua protecção com a construção de muralhas á volta do Porto do Pireu. No entanto, não conseguiu criar uma união pan-helénica e a rivalidade entre Esparta e Atenas revela ser a causa do fim da Grécia.

 

Trirreme grega

 

 

Publicado Por Cíntia Pontes às 20:23
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Terça-feira, 2 de Setembro de 2008

BIOGRAFIAS - O grego Péricles

 

 

Péricles (c. 495/492-429 a.C.) nasceu no seio de uma família rica, da alta sociedade.

Participou na vida política de Atenas como estratega e entre 460-429 a.C. como strategos autokrator, isto é, o general eleito anualmente pelo povo, por unanimidade que, juntamente com nove eleitos, governava a cidade.

Era um homem honesto, competente na gestão dos bens públicos e segundo Tucídides, um defensor do diálogo e não um incentivador á violência. Dominou Atenas pela inteligência, pela palavra e pela brilhante actuação (embora tivesse sido alvo de grandes críticas).

Apelando e lutando pela rectidão, pela justiça, pelo diálogo, pela liberdade e pela verdade, Péricles contrastava com uma sociedade que se começou a revelar quezilenta, invejosa e individualista.

Proporcionou a Atenas o seu apogeu económico, cultural e artístico, correspondendo a uma época que com ele desapareceu, pois mais nenhum dos políticos que se seguiram conseguiu fazer algo parecido pela cidade.

Durante o seu governo, os seus objectivos foram aumentar a representação do povo na governação e consolidar a democracia. Preocupou-se ainda em impor e vigiar a correcta e efectiva as leis democráticas, já decretadas.

Péricles consolidou o regime de democracia directa, plebiscitária, onde o governo está submetido ao princípio da soberania popular e á vontade da maioria - "Um governo para o povo e pelo povo".

A reconstrução da sua cidade, feita com perfeição técnica e domínio estético num curto espaço de tempo, foi também outra das suas armas políticas. Foi ele quem instituiu o misthos ou mistoforia, um subsídio diário diversificado, que mudava conforme as funções e era atribuído a todos que servissem Atenas (visava ajudar os mais pobres para que pudessem participar na vida política).

Em 431 a.C surgiu a guerra com Esparta e Péricles faleceu pouco tempo depois, vítima da peste que assolou a cidade durante a guerra.

 

 
Publicado Por Cíntia Pontes às 15:33
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