Quarta-feira, 13 de Agosto de 2008

A Arte da Antiguidade - Arte Egeia (Continuação)

 

ARTE MICÉNICA

 
- Caracterizou-se principalmente pelo desenvolvimento da arquitectura, tendo como modelo o megaron micénico (sala central do palácio de Micenas); contrariamente à arquitectura minóica, a micénica possui um forte sentido militar onde se observam fortalezas rodeadas de muralhas edificadas em pedra com grande precisão. O palácio divide-se em três áreas simples: um pórtico com duas colunas leva à antecâmara que antecede a grande sala de audiências, rectangular e com quatro colunas a envolver uma lareira central circular; ao redor dos palácios, no interior da cidadela, e também do lado de fora, junto às muralhas, haviam várias casas de planta retangular e diversos cômodos, um deles habitualmente com lareira. As paredes eram de tijolo seco ao Sol, barro comprimido reforçado com cascalho, vigas de madeira, ou uma combinação disso; as fundações eram de pedra, ou de simples cascalho misturado com barro. O telhado era provavelmente plano, composto de uma estrutura de madeira recoberta de reboco ou terra - casas dos cidadãos mais ricos e influentes da sociedade micénica; os mais pobres viviam em cabanas de um ou dois cômodos situadas fora das muralhas. As paredes eram de tijolos secos ao sol ou de madeira, o chão era de terra batida e o telhado, plano, era em geral recoberto de palha;

 

Fundações de uma casa particular localizada do lado de fora das muralhas da cidadela de Micenas

 

Reconstituição da acrópole de Micenas

 

Galeria da muralha de Tirinto

 

 

- Desenvolveu-se ainda o artesanato em cerâmica, decorados com cenas do quotidiano e motivos florais e animais;

 

 

                                                 Cabeça de touro          

 

 

                                   

        

 

  

Vaso decorado com cena de funeral e prossição

 

 

 

  

 

 

- Apesar da forte influência cretense, a arte micénica desenvolveu elementos peculiares, distanciando-se das influências orientais; do Antigo Egipto receberam  influências relacionadas com o culto dos mortos, nomeadamente no que diz respeito à construção de câmaras funerárias em pedra;

- A escultura  foi uma modalidade pouco praticada. Destacam-se os relevos tumulares, cujos temas eram cenas de caça e guerra, com as populares espirais interligadas; as esculturas em pequena escala, em terracota pintada, como as "deusas do lar" - phi e psi (figuras femininas de pé, em diversas atitudes, e com grande estilização) e as "deusas domésticas" (estatuetas femininas pintadas, de base cilíndrica, traços estilizados e braços levantados, e pequenas figuras de animais com desenhos pintados) e ainda as esculturas em grande escala associadas á arquitectura (como a Porta dos Leões, em Micenas, onde se vêm dois leões virados para uma coluna micénica, inseridos na muralha defensiva. Neste exemplo são notórias as semelhanças com a tradição da escultura mesopotâmica, pela imponência e severidade formal);

 

  

Porta dos Leões

 

Relevo tumular

 

Pequena escultura em marfim de uma pyxis (caixa de cosméticos)

 

    

Estatuetas em terracota e marfim, respectivamente

 

- Primorosos trabalhos em metal e outros materiais e a joalharia, que receberam grande influência da arte minóica, no tratamento formal e na técnica (se é que não terão mesmo sido produzidos por artesãos vindos de Creta); destacam-se os punhais com incrustações, ornamentos para indumentária, diademas, broches, alfinetes, colares e as famosas máscaras funerárias em ouro, que serviam para cobrir o rosto do falecido;

Jóias do Tesouro de Egina

 

Máscara funerária de Agamémnon, ouro

 

Anel em sinete de ouro, com cena de caça

 

Diadema em ouro

 

Pormenor de uma arma micénica, bronze e incrustações em ouro, prata e niello

 

Taça em ouro

 

Vaso de cristal de rocha em forma de pato

 

- A pintura micénica teve como principais temas a representação da vida animal (como golfinhos, pássaros, cobras, touros e principalmente felinos, como o leopardo e o leão e ainda animais heráldicos, como grifos) onde é regra aparecerem com as patas dianteiras e traseiras esticadas, símbolo de movimento; cenas de caça, guerra, da vida quotidiana e procissões rituais.

 

Reconstituição do Megaron do Palácio de Nestor, pinturas a fresco que representam leões e grifos

 

É comum também apareceram elementos da flora marítima e a espiral, elemento decorativo muito usado, até na arquitectura; a tipologia mais usada na pintura, pela civilização micénica foi a pintura mural a fresco, cujos temas eram cenas do quotidiano e descrições do mundo natural; obras plenas de naturalismo, vivacidade e movimento. A arte micénica, em comparação com a dos minóicos, era solene.

 

  

 

Publicado Por Cíntia Pontes às 21:20
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