Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009

Os frescos de Pompeia

 

No dia 24 de Agosto de 79, as cidades de Pompeia, Herculano e Nápoles foram arrasadas pela erupção vulcânica do Vesúvio.

No século XVIII foram encontrados vestígios dessas mesmas três cidades romanas, em bastante bom estado de preservação devido ás cinzas vulcânicas, que as cobriram por completo.

 

Ruínas do fórum da cidade de Pompeia

 

Ruínas de Pompeia e o vulcão Vesúvio

 

 

Entre as entusiasmantes descobertas pictóricas encontram-se os fabulosos frescos que cobriam as paredes interiores da maior parte das habitações privadas e até de alguns edifícios públicos.

A partir destas pinturas foi possível distinguir quatro estilos na evolução cronológica das pinturas pompeianas:

  • Estilo de incrustação ou primeiro estilo (séc. II a.C.) – Estilo importado da Grécia e do Mediterrâneo Oriental. As paredes eram divididas em três sectores horizontais onde eram pintados, com cores vivas, falsos envasamentos de mármore, plintos imitando madeira e até elementos arquitectónicos fingidos;

 

 

  • Estilo arquitectónico ou segundo estilo (por volta de 80 a.C. até ao início da Era Cristã) – Possui influências helenísticas e está na sequência do estilo de incrustação, mantendo as três faixas horizontais de ordenação da parede. É caracterizado pela presença de elementos arquitectónicos pintados a partir do chão, que emolduram painéis com cenas mitológicas ou religiosas ou simulam janelas que se abrem sobre paisagens naturais. No nível superior, simulam-se frisos que deixam entrever o céu. Introduz ainda um efeito ilusório (aparente recuo ou desfundamento da parede por meio da perspectiva arquitectónica das cenas);



Pormenores do fresco do triclinium da Villa dos Mistérios, em Pompeia, séc. I a.C.

 

Frescos da Casa dos Vetti, Pompeia

 

 

 

  • Estilo ornamental ou terceiro estilo (pouco antes do início da Era Cristã) – Evolução do estilo anterior. Representação de elementos arquitectónicos, decorados com grinaldas e outros ornamentos vegetalistas e/ou naturalistas que se encontram pintados sobre fundos lisos e monocromáticos. Os painéis com cenas descritivas adoptam um menor tamanho e mostram cenas de inspiração oriental e africana. O efeito ilusório tende a suprimir a parede, através das cenas pintadas que parecem quadros pendurados no mesmo;

 

 

  • Estilo cenográfico ou quarto estilo (por volta de 60 a.C.) – Combina os dois estilos anteriores e reforça o aspecto teatral da decoração. Enquadram cenas figurativas e descritivas, de temática mitológica e irreal, em estruturas arquitectónicas, complexas e fantasistas, organizadas em perspectiva. A decoração quase luxuriante envolve espirais, rosáceas e ornamentos metálicos e também cores vivas e contrastantes.

 

 

Publicado Por Cíntia Pontes às 19:13
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Quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2009

A Coluna de Trajano

 

A Coluna de Trajano

 

 

A Coluna de Trajano pertence á tipologia da arquitectura comemorativa romana e pensa-se que tenha sido inspirada nos obeliscos egípcios. É um monumento urbanístico, simultaneamente arquitectura e escultura, que teve a função de assinalar um momento histórico, conferindo-lhe um carácter documental e honorífico.

Foi construída em 112-114, em Roma, no Fórum de Trajano, sobre o túmulo desse imperador, para comemorar a vitória dos Romanos contra os Dácios.

 

A Coluna de Trajano inserida no Fórum

 

 

A sua construção foi concebida e dirigida pelo arquitecto Apolodoro de Damasco e demonstra o espírito histórico e triunfalista dos Romanos que, de um modo original, glorificaram o seu imperador.

A coluna possui cerca de 37 metros. O seu fuste é oco - no interior existe uma escada em espiral, feita em mármore branco, que ascende até ao topo - e assenta sobre um tambor ou pedestal, de forma cúbica, também oco e decorado com relevos de troféus militares. Este tinha uma porta em bronze, no cima da qual existia uma inscrição dedicatória. Fazendo a transição entre o plinto e a coluna, existe um toro coberto de coroas de louro.

É decorada com um relevo historiado que se desenrola á volta da coluna e que conta os inúmeros acontecimentos das duas campanhas de Dácia, encobrindo ainda as 43 janelas que iluminam a escadaria interior. No topo da coluna existe um capitel dórico monumental, que era encimado por uma águia de bronze, símbolo do Império. Mais tarde foi substituída por uma estátua em bronze de Trajano e actualmente possui uma estátua de S. Pedro, colocada em 1588.

Pormenor do capitel da coluna e da estátua de S. Pedro que a encima

 

 

A narrativa da coluna é feita através de diversas cenas em mármore que descrevem aspectos geográficos, logísticos e políticos da campanha. Mas o que sobressai de toda a representação é a magnanimidade do imperador, que acolhe os vencidos com generosidade. O imperador é mostrado como o grande protagonista que dirige e orienta os trabalhos, intervém nas batalhas e acode nas situações complicadas.

 

 

Pormenor do relevo historiado da Coluna de Trajano

 

 

As cenas são realistas e tratadas de modo natural, sucedendo-se umas às outras, sem separações ou linhas divisórias. Esta narrativa apresenta um verdadeiro “horror ao vazio”, devido à sua densidade e grande número de personagens.

O escultor trabalhou habilmente este relevo em friso com uma pequena profundidade no talhe, para que os efeitos de luz e sombra não prejudicassem a leitura das cenas quando vistas de baixo.

O relevo desta coluna é considerado uma das obras mais ambiciosas do mundo antigo, sendo muito maior e mais perfeccionista que o friso das Panateneias do Templo do Pártenon.


 

 

Publicado Por Cíntia Pontes às 09:30
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Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009

A Arte da Antiguidade Clássica - Arte Romana (Continuação)

 

PINTURA

 

Fresco de uma casa de Herculano

 

 

- A pintura é uma das formas artísticas que melhor documenta o modo de vida e de ser dos Romanos;

- Sofreu grande influência dos Etruscos que decoravam as paredes dos templos, dos túmulos e, mais tarde, das suas casas , construídos em madeira ou terracota, com pinturas a fresco. Deles herdaram a enorme vivacidade narrativa, o grande sentido da realidade e a carga expressiva, linear e vigorosa; da arte egípcia, principalmente no retrato; e da arte grega;

 

Pinturas a fresco das paredes de uma casa em Pompeia

 

 

- Dividiu-se em duas tipologias diferentes: a pintura mural, feita a fresco, que revestia as paredes interiores dos edifícios; e a pintura móvel, realizada a encáustica (técnica pictórica que se aplica sobre suportes de madeira, marfim, pedra ou metal, em que o aglutinante dos pigmentos de cor é a cera quente, diluída), geralmente sobre painéis de madeira;

- As principais características da pintura romana foram o realismo, o naturalismo, a atenção ao pormenor e ao detalhe, a noção de perspectiva conseguida; os belíssimos contrastes de claro-escuro e as composições plenas de vivacidade, delicadeza e harmonia;

- Abordou uma temática variadíssima:

  • Pintura triunfal - incidia sobre cenas históricas como batalhas e episódios políticos e militares; possuia funções políticas, documentais e comemorativas; semelhante ao relevo, recorre à narrativa contínua, onde a figura principal é repetida e as secundárias são colocadas lado a lado; a representação é exacta, quer em pormenores, quer nas inscrições que identificam os protagonistas;

"Bodas Aldobrandinas", as núpcias de Alexandre Magno com a princesa Roxana, fresco encontrado numa casa romana do monte Esquilino

 

  • Pintura mitológica - incidia sobre os mitos e mistérios da vida dos deuses e na representação das suas figuras; possuíam composições muito fantasistas e imaginativas e ricas em personagens e colorido;

Perseu libertando Andrómeda, fresco de Pompeia

 

Ménade

 

Pintura a fresco de carácter mitológico, encontrado na Basílica de Herculano

 

 

  • Pintura de paisagem - inspirava-se directamente na Natureza e revestia-se de um grande sentido poético e bucólico; a representação era tanto sonhadora e fantasista como podia ser fiel ao observado, não perdendo, contudo, a sua poesia;

 

Pinturas a fresco da Villa Lívia, em Primaporta, 20 a.C.

 

Pintura a fresco de uma paisagem idealizada

 

  • Naturezas-mortas e cenas de género (da vida quotidiana) - pequenas obras-primas plenas de realismo nas formas, cores e brilhos e de grande atenção ao detalhe;

Natureza-morta com frutas e jarra

 

Natureza-morta com pássaro

 

Natureza-morta com pêssegos e jarra

 

 

Cena de género

 

  • Retratos - muito abundantes nas casas dos romanos e feitos a fresco nas paredes ou pintadas a encáustica sobre painéis de madeira ou metal; eram admiráveis pelo verismo quase fotográfico e pela sugestão psicológica que provocam no espectador.

Retratos romanos

 

"A Poetisa"

 

"O Padeiro Páquio Próculo e sua mulher"

 

 

- A pintura foi utilizada, desde a República, em edifícios públicos (basílicas, termas), religiosos (templos, túmulos), oficiais (mansões, palácios) e privados (lares de abastados funcionários, mercadores e comerciantes de Pompeia), revestindo as paredes de várias divisões, tornando os espaços muito mais aprazíveis e acolhedores.

 

 Pinturas a fresco das paredes das termas de Pompeia

 

 


MOSAICO

 

- Intimamente ligado á pintura, o mosaico vai buscar a essa arte o estilo e o colorido;

- Era feito com pequenas tesselas de materiais coloridos como mármores, pedras várias e vidro, aplicadas sobre a argamassa fresca que cobria variadíssimos locais de suporte - no início apenas o chão e depois também as paredes exteriores e interiores e os tectos de pequenas cúpulas;

- Os seus temas foram os mesmos da pintura romana e desenvolveram-se em composições figurativas: episódios mitológicos, cenas de caça, jogos, cenas de género, naturezas-mortas e, por vezes, passagens humorísticas, com particular evidência para cenas em trompe-l'oeil (ilusão de perspectiva);

- A mais típica decoração em mosaico data dos sécs. II e II a.C. e é formada por uma espécie de "tapetes" que cobrem parcial ou totalmente o chão de algumas divisões, com composições complexas de motivos geométricos que serviam de moldura a pequenos motivos figurativos como pessoas, animais e deuses;

- Atingiu o seu apogeu no séc. IV, sendo posteriormente continuado nas artes paleocristã e bizantina.

 

Mosaicos romanos da cidade de Pompeia

 

"Cave Canem", mosaico-tapete de uma casa de Pompeia

 

 Mosaico de carácter mitológico representando a Deusa Diana, encontrado na antiga cidade romana de Volubilis, Marrocos

 

Mosaicos encontrados na Casa de Menandro, em Pompeia

 

Mosaico da "Batalha de Isso" e pormenor da cabeça de Alexandre Magno, respectivamente

 

 Mosaicos decorativos da Casa dos Repuxos em Conímbriga, Portugal

 

 

Publicado Por Cíntia Pontes às 16:38
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Domingo, 1 de Fevereiro de 2009

A Arte da Antiguidade Clássica - Arte Romana (Continuação)

 

ESCULTURA

 

- A escultura romana revela características realistas, centradas na personalidade do indivíduo, com influências da arte etrusca e da arte grega do período clássico e, principalmente, helenístico, porque os Romanos preferiram o realismo emocional da representação à perfeição idealizada e quase "sagrada", pois aquele estava mais de acordo com o seu espírito prático e pragmático;

- Mais realista que idealista, a estatuária romana teve o seu maior êxito nos retratos, normalmente em forma de busto. Reproduziam exactamente o modelo, acentuando até os “defeitos”, as “disformidades” e as características fisionómicas dos olhos, das sobrancelhas, da boca, barba e cabelo, bem como marcas do tempo e do sofrimento humanos. Deste modo a escultura romana conseguiu atingir o seu propósito: eternizar a memória dos homens através de imagens reais que evidenciavam o carácter, a honra, a glória e a psicologia do retratado, com um carácter quase fotográfico;

- No séc. I a.C., durante o governo de Octávio César Augusto, o retrato começa a sofrer mudanças e a mostrar nítidas influências do ideal grego, sobretudo no retrato oficial: visto que os imperadores se tornavam deuses após a morte, os seus retratos e estátuas apresentavam-no de um modo mais classizante, mais idealizado e mais divino, mas por outro lado também mais grave, para ser admirado, respeitado e honrado; as figuras adquiriram uma pose mais triunfal, majestosa e bela, embora, algumas partes do corpo, principalmente a cabeça, continuassem plenas de verismo, mostrando as feições naturais do representado. Feitos em materiais como a pedra e o bronze e cunhados em moedas, os retratos foram o espelho do poder imperial e um elemento de unificação do território, pois os retratos do imperador chegavam a todas as partes do império;
- A época do Alto Império ficou marcada pela grande produção escultórica e pelo facto de, pela primeira vez, se poder falar em consumo privado de Arte e no gosto pela obra de arte em si mesma, desenvolvendo-se a paixão pelo coleccionismo, bastante "banal" nos tempos de hoje;

- A decadência do império (sécs. IV e V d.C.) correspondeu a uma fase de simplificação na escultura: as figuras começaram a apresentar uma grande influência da estética oriental, com o seu frontalismo e hieratismo e feições mais abstractas e simplificadas, principalmente no retrato; houve também uma perda progressiva da noção de perspectiva e profundidade. O Cristianismo também marcou esta fase com o seu esquematismo e simbolismo da figuração, pois os seus conceitos de imortal e espiritual, converteram a representação humana em símbolos; deste modo o retrato oficial perdeu a sua carga de individualidade;

- Dividiu-se em três tipologias:

  • As estátuas e as estátuas equestres, que possuíam funções públicas - documentais, celebradoras, comemorativas e, por vezes, decorativas - e eram plenas de verismo e um certo idealismo. Em qualquer uma delas sobressai principalmente o retrato propriamente dito, que se pauta por um grande realismo, não descurando a fisionomia do rosto e enfatizando a descrição da personalidade do representado sobretudo nos olhos e na expressão do olhar. Os romanos fizeram também cópias de muitas estátuas gregas, pelo grande encanto e admiração que tinham por elas;

Estátua-retrato de Augusto de Prima Porta, séc. I a.C e a estátua do patricío Barberini, 30 a.C, respectivamente

 


Pormenor da estátua-retrato de Augusto como Pontífice Máximo

 

 

 

Busto de Marco Aurélio, de Brutus Capitolino e de Júlio César, respectivamente

 

 Estátua de Dionísio, cópia romana de uma obra grega

 

Estátua equestre em bronze de Marco Aurélio, séc. II d.C.

 

 

Fragmentos da estátua colossal de Constantino

 

  • Os relevos, que tinham funções ornamentais, comemorativas e narrativas ou históricas e recorreram a algumas técnicas usadas na pintura: conseguiram obter profundidade e efeitos de perspectiva através da gradação dos planos, em conjunto com diferentes tipos de relevo (alto, médio e baixo, até ao esmagamento) e utilizaram a figura em escorço, principalmente nas cenas militares, de modo a transmitirem a noção de esforço e sofrimento. A narração decorria em cenas contínuas onde a figura principal se encontra repetida, as figuras secundárias dispostas lado a lado e as restantes colocadas em planos mais recuados. As figuras eram produzidas de modo fidedigno e demonstravam o grande gosto dos romanos pela representação minuciosa e verista. 

Pormenor de um dos relevos do Arco de Tito

 

 

Relevos do Ara Pacis, altar da paz

 

Detalhe do relevo romano "Marco Aurélio e os bárbaros", séc. II d.C.

 

 

Publicado Por Cíntia Pontes às 22:31
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Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009

A Arte da Antiguidade Clássica - Arte Romana

 

ARQUITECTURA


- De todas as formas da arte romana, é a arquitectura que melhor testemunha o génio inventivo e prático de Roma e que melhor documenta a sua evolução histórico-social;

- A arte romana sofreu duas fortes influências: da arte ítalo-etrusca, popular, voltada para a expressão da realidade vivida e reveladora de um povo alegre e amante da vida, e da arte greco-helenística, orientada para a expressão de um ideal de beleza; dos etruscos herdaram vários conhecimentos e técnicas tais como: a utilização do arco e da abóbada; a construção de cidades muralhadas com traçado rectilíneo das ruas; a realização de pontes, túneis, esgotos e estradas; a edificação de templos com pódio, pórtico com colunas de madeira, telhados de duas águas e beiral, cella, proporções quase quadradas e paredes de tijolo cru; e a produção de túmulos de várias formas, cujas características se assemelhavam ás casas dos vivos. Aos gregos foram buscar as concepções clássicas dos estilos jónico, dórico e coríntio, aos quais associaram novos estilos, como o toscano e o compósito, que aplicaram na decoração arquitectónica; imitaram as plantas dos templos rectangulares e circulares na construção de basílicas e outros edifícios como os teatros e a domus, cuja concepção parte do peristilo grego, transformando-o um núcleo residencial; o urbanismo romano também adquiriu influências gregas, pois a partir da acrópole e da ágora gregas, os Romanos passaram ao Capitólio e ao fórum de Roma.

 

Muralha Serviana, Roma, séc. IV a.C.

 

Muralha de Adriano, Grã-Bretanha

 

 

- Pragmática, funcional, colossal e magnificente, a arquitectura romana preocupou-se essencialmente com a resolução dos aspectos práticos e técnicos da arte de construir, respondendo com soluções criativas e inovadoras ás crescentes necessidades demográficas, económicas, políticas e culturais da cidade e do império;

- Nas suas construções os Romanos usaram materiais tradicionais como a pedra, o tijolo, a mármore e a madeira, e outros, mais económicos e fáceis de trabalhar, criados ou recriados por eles de forma inovadora - falamos dos diferentes tipos de opus (termo usado pelos romanos para designar o material ou o tipo de organização dada ao material empregue numa construção. Distinguem-se vários tipos: opus incertum, que usa pedras pequenas e irregulares unidas por argamassa; opus recticulatum, semelhante ao anterior mas com revestimento exterior regular, feito com pequenas pirâmides de calcário cunhadas na parede com a base para fora; opus quadratum, que usa silhares de pedra aparelhada, sobrepostos sem argamassa, cuja coesão é garantida pala colocação de grampos metálicos; opus testaceum, constituído por ladrilhos cozidos dispostos de modo a fazer desenhos quadrados ou triangulares; e opus caementicium), dos quais o mais importante foi o opus caementicium, uma espécie de argamassa de cal e areia, a que se adicionavam pequenos pedaços calcário, pozolana (material de origem vulcânica), cascalho e restos de materiais cerâmicos, que criava uma pasta moldável enquanto húmida, semelhante ao actual cimento ou betão que, depois de seca, se igualava à pedra na solidez e na consistência. A sua utilização desde o séc. IV a.C, facilitou e tornou mais rápida e económica a construção de estruturas complicadas como as coberturas abobadadas ou cupuladas e ainda as paredes arredondadas e em abside; o emprego deste material obrigou ao uso de vários paramentos (revestimento exterior) que disfarçassem o aspecto final pouco decorativo das estruturas. Deste modo, os Romanos inventaram diferentes almofadados em pedra e tijolo e aplicaram revestimentos exteriores com relevos em estuque, placas de mármore policromo ou ladrilhos cozidos. Nos interiores, o revestimento era feito com pedras nobres, mármores, mosaicos e estuques pintados;

- Criaram novos sistemas construtivos, que tiveram como base o arco e as construções que dele derivam: os diferentes tipos de abóbadas, as cúpulas e as arcadas (conjunto de colunas unidas superiormente por arcos).  Na verdade estas estruturas não foram inventadas pelos Romanos pois já haviam sido usadas pelos Etruscos e os próprios gregos conheciam o arco, embora nunca o tenham usado. Contudo, nenhum destes povos soube aplicar estes sistemas com tanta perícia técnica e com tanta eficácia e inteligência arquitectónica. A sua utilização, aliada aos novos materiais, permitiu aos Romanos criar variadas tipologias arquitectónicas, diversificar as plantas, projectar compartimentos mais amplos e articular melhor os espaços interiores;

- Desenvolveram as técnicas e os instrumentos de engenharia, assumindo-a como o suporte da arquitectura e atribuindo-lhe, pela primeira vez, uma base científica; realizaram neste campo grandes progressos: aperfeiçoamento dos conhecimentos de orografia e topografia; uso de técnicas de terraplenagem (acto de nivelar os terrenos de modo a prepará-los para a execução da obra); desenvolvimento de processos de embasamento e de suporte; invenção de cofragens (dispositivo amovível de madeira destinado a conter as massas de betão fresco nas formas projectadas; espécie de molde) e cimbres (armação de madeira que suporta e/ou molda os arcos ou abóbadas), que serviram para montar e moldar as estruturas construtivas, economizando assim a mão-de-obra e o tempo da construção; utilização dos grampos de metal para fortalecer as juntas entre os blocos de pedra ou nas zonas de maior pressão dos edifícios.

- A decoração utilizada pelos Romanos pautou-se pelo barroquismo (acto de complicar as formas e os elementos decorativos pela profusão e exagero dos mesmos), que preferiram o exagero ornamental ao equilibrado sentido estético e simples dos Gregos; utilizaram os elementos gregos tais como colunas, entablamentos e frontões, como meras "peças"decorativas, sem qualquer função estrutural, inovando-as ao alterarem as suas formas e proporções; criaram ainda duas novas ordens: a toscana (capitel simples, semelhante ao estilo dórico) e a compósita (junção da ordem jónica e da coríntia; o capitel é decorado com volutas e folhas de acanto).

 

 

 

» Arquitectura religiosa

 

- Desempenhou funções religiosas, políticas e sociais e encontra-se largamente representada entre as construções romanas;

- Os edifícios religiosos assinalavam, pelo seu valor sagrado e simbólico, os lugares mais importantes das cidades. Entre eles destacavam-se os simples altares (uma espécie de pequenos templos erguidos sobre um pódio e fechados a toda a volta por um muro, decorado com relevos, e só interrompido pela escadaria frontal; o interior é descoberto e composto por um altar, elevado sobre um pedestal de mármore; possuíam um carácter comemorativo), os santuários e os templos, destinados ao culto dos imperadores (divinzados após a morte) e aos Deuses;

 

Altar da Paz (Ara Pacis), Ano 13 a.C., Roma - vista frontal, lateral e traseira e alguns dos seus frisos, respectivamente

 

 

- Os templos romanos do período republicano apresentavam algumas características comuns a todos eles: erguiam-se sobre um estrado em pedra maciça, denominado pódio; possuíam um carácter frontal, com a fachada assinalada pelo pórtico e pela escadaria de acesso ao templo; tinham geralmente uma planta rectangular (tendo existido também, templos de planta circular), apenas uma cella e na maioria das vezes não tinham peristilo, pois as colunas laterais se encontravam embebidas ou adossadas ás paredes exteriores da cella; as colunas e o entablamento eram uma imitação grega, seguindo uma das ordens clássicas, mas possuíam apenas uma função decorativa;

- Mais grandiosos eram os santuários, constituídos por vastos recintos abertos para a paisagem, construídos como amplos anfiteatros rodeados de arcadas, atrás das quais havia templos, alojamentos para sacerdotes e crentes, lojas e outras dependências.

 

Templo de Vesta, Roma, séc. I a.C

 

Templo coríntio, Maison Carré, Ano 16 a.C., Roma

 

Templo- Santuário de Júpiter, Líbano, séc. I d.C.

 

 Templo de Diana, Évora

 

 

Panteão de Roma, mandado construir pelo imperador Adriano, para honrar os Deuses da Terra e do Céu, visando a unidade e a fusão de todas as doutrinas religiosas e diversos Deuses que cada povo conquistado por Roma tinha: vista frontal (fig. 1), vista traseira (fig.2), vista lateral das colunas que rodeam o portico (fig.3), a entrada (fig.4 e 5), os interiores (figs. 6, 7, 8, 9, 10 e 11) e a sua planta (fig. 12)

 

 

 

 

» Obras públicas

 

- As construções públicas foram o tipo de arquitectura em que os Romanos melhor expressaram o seu engenho técnico e originalidade, mas também as que melhor traduzem o desejo de poder e de grandeza deste povo;

- Abundantes desde o período da República, estas obras foram essenciais durante o Império, devido à enorme expansão territorial e ao crescente aumento demográfico. Foram poucos os imperadores que não deixaram o seu nome ligado a um grande melhoramento público, útil para o povo ou para o embelezamento da cidade;

- Durante o período da República salienta-se a construção de obras com carácter prático e utilitário como as estradas, as pontes e sobretudo os aquedutos, essenciais ao abastecimento de água às cidades e às termas;

 

 

Estrada romana em Pompeia

 

Estrada romana em Argoncilhe, Santa Maria da Feira

 

 Aqueduto e Ponte do gard, França, final do séc. I a.C.

 

 Ponte de Segura, Castelo Branco

 


Aqueduto romano em Espanha

 

Ponte romana em Chaves

 

 Ponte de Alcantara, Espanha

 

 Aqueduto romano na Tunísia

 

 

- O período imperial, por sua vez, deu ênfase a construções mais grandiosas e imponentes destinadas à vida pública, cada vez mais complexa, ou ao lazer e divertimento da população (embora muitas destas construções já existissem durante a República). Destas salientam-se:

  • As basílicas, construidas com coberturas em abóbadas de arestas e com cúpulas e semicúpulas sobre as absides laterais, que permitiam criar compartimentos interiores mais amplos e iluminados, que abrigassem um grande número de pessoas. Tinham como principais funções albergar tribunais, cúrias e outras repartições públicas, como termas, mercados, bolsas de mercadores e palácios imperiais;

Ruínas da Basílica de Maxêncio ou Constantino, Roma, séc. IV

 

Ruínas da Basílica Emília, período republicano

 

 

  • Os anfiteatros, construções mais populares da arquitectura romana do lazer, exerceram um importante papel sócio-recreativo. Possuíam planta circular ou elíptica, sem cobertura e tinham vários andares (geralmente três ou quatro), sustentando-se a si proprios, graças aos complexos sistemas de abóbadas radiais e concêntricas, que suportavam as galerias sob as bancadas e a própria arena; a parede exterior, circular, ostentava três níveis de arcos, ladeados por colunas adossadas com ordens diferentes em cada andar, separados por entablamentos e encimados por um ático sem arcadas, mas com pilastras adossadas;

 Anfiteatro Flávio, mais conhecido como Coliseu de Roma, séc. I

 

 

  • Os teatros, semelhantes aos anfiteatros na forma e na decoração exterior, mas de menor porte; apresentavam influências gregas na construção; não precisavam de locais apropriados para se erguerem porque graças aos sistemas construtivos romanos, sustentavam-se a si próprias; embora fossem ao ar livre, eram fechados em torno de si mesmos, porque as paredes da cávea (estrutura onde, segundo a escala social, se sentavam os espectadores), em anfiteatro, uniam-se à cena. A orquestra era semicircular e a cena, mais elaborada, possuia vários andares colunados até à altura da última bancada; é ainda de salientar que os primeiros teatros romanos, construidos até finais da república, tinham um carácter bastante efémero: eram feitos em madeira e demolidos logo após o acontecimento para o qual tinham sido construidos;

 

Teatro de Marcelo, Roma, séc. I a.C.

 

  • As termas, que mais do que simples balneários públicos, tornaram-se importantes locais de encontro e convívio social e símbolos do poder político. Continham piscinas de água quente e fria, saunas, ginásios, estádios, hipódromos, salas de reunião, bibliotecas, teatros, lojas e amplos espaços verdes, ao ar livre. Devido a todas estas funções, eram construções de escala monumental e pautavam-se pelo apurado sentido de ordem e simetria das suas plantas, pela estruturação dinâmica e funcional dos seus interiores, pela conjugação harmoniosa das várias volumetrias, pelas arrojadas coberturas abobadadas ou cupuladas e ainda pela belissima articulação entre interiores e exteriores. Ostentavam uma rica decoração, com revestimentos a mármore policromo, belas composições de mosaicos, pinturas em estuque e muita estatuária artística.


Ruínas das termas de Carcala em Roma e um dos seus mosaicos decorativos

 

 Mármores policromos decorativos das termas de Saragoça, Espanha

 

Decoração das termas romanas com pinturas em estuque

 

Termas romanas em Espanha

 

 

 

» Arquitectura privada

 

- Menos imponente que as demais obras romanas, mas igualmente genial, foi a arquitectura privada bastante usada pelos Romanos, que possui duas tipologias distintas:

  • A domus, o lar tradicional dos Romanos, a casa unifamiliar e privada; eram feitas em tijolo e ladrilho cozido, apresentando um aspecto exterior modesto; geralmente possuia apenas um piso ou dois e tinha um telhado ligeiramente inclinado para o interior, coberto com telhas de cerâmica; não possuia aberturas para o exterior, excepto a porta principal e , por vezes, uma outra nas traseiras; as dependências internas organizavam-se em torno de um ou dois pátios interiores (o atrium e o peristilo), pelos quais se fazia a iluminação e ventilação da casa e a circulação das pessoas; a decoração interior baseava-se nos pavimentos de mármore policromo ou de mosaicos, e nos belissimos estuques pintados das paredes das divisões nobres (triclinium, sala de jantar e tablinum, escritório ou sala de estar). As famílias mais abastadas possuíam variantes maiores e muito mais luxuosas do modelo acabado de descrever, rodeadas de grandes e belos jardins, as villae ou  villas, moradias construídas, muitas vezes, fora da cidade, num arredor rural aprazível e surpreedente; os imperadores e suas famílias mandaram construir villas grandiosas (os palácios imperiais), verdadeiras cortes que albergavam uma numerosa criadagem, as milícias militares e as comitivas políticas;

 

 

1. Vestíbulo; 2. Átrio; 3. Impluvium (Tanque para recolha das águas da chuva); 4. Alas laterais do átrio; 5. Tablinum; 6. Triclinium; 7. Cozinha; 8. Quartos; 9. Lojas;                 10. Peristilo

 

Vista exterior de uma Domus Romana e a sua respectiva planta

 

Átrio de uma domus romana

 

Ruínas da Domus Augusteana 

 

Ruínas da Domus Aurea (palácio imperial do imperador Nero) e uma das suas pinturas a fresco decorativas

 

Ruínas do peristilo da Casa dos Vetti, Pompeia

 

Mosaicos e pinturas a fresco da Villa del Casale

 

 

 

Villa Adriana, "obra" do imperador filósofo e grande viajante, Adriano, que fez desta villa uma espécie de museu, repleto de réplicas das construções e dos locais qua mais o haviam impressionado, feitas à escala humana, mas colocados no terreno de modo imaginativo e sem qualquer submissão á axialidade: o palácio imperial (fig. 1), a hospitalia (alojamento dos soldados da guarda pretoriana fig. 2 e 3), as termas e um dos seus mosaicos decorativos (figs. 4 e 5), o Canopo (pequeno lago que simboliza um antigo canal que ligava as duas cidades egípcias de Alexandria e de Canopo - figs. 6 e 7), o teatro Marítimo (fig. 8), o ginásio (fig. 9)

 

 

  • As insulae, autênticos prédios urbanos para rendimento, que alojavam as famílias mais pobres; tinham em média três ou quarto andares, mas muitas delas atingiram os oito pisos. O rés-do-chão era geralmente recuado e utilizado para lojas, abertas para a rua. Assemelhavam-se a autênticas colmeias humanas e eram construídas com os materiais mais económicos como o tijolo, a madeira e a taipa. Levantaram grandes e graves problemas urbanísticos tais como o abastecimento de água, os esgotos, o mau isolamento acústico e térmico, o exagerado número de andares, a higiene e as normas de segurança, devido aos frequentes incêndios e às escadas de acesso, íngremes e apertadas, que dificultavam as evacuações. Apesar de tudo isto, estas construções apresentam um grande interesse, nomeadamente em relação: à técnica usada para a construção em altura; à preocupação funcional da planta, com os apartamentos com acesso, em galeria, ao pátio central, aberto desde o rés-do-chão; ao tratamento das fachadas não revestidas, onde se rasgavam fileiras simétricas de janelas, numa antecipação de estilos vindouros.

 

 

 

» Arquitectura comemorativa

 

- O espírito histórico e triunfalista dos Romanos levou-os a produzirem obras com fins comemorativos e que assinalassem, pela sua presença evocativa, as conquistas militares e políticas dos grandes oficiais e dos imperadores. Dentro desta arquitectura salientam-se duas tipologias: as colunas honoríficas e os arcos de triunfo, que eram ambos ricamente decorados com baixos e altos-relevos e estátuas ou esculturas alegóricas e/ou honoríficas. A sua colocação fazia-se, geralmente, a meio das vias importantes ou nas entradas e saídas dos fóruns, embora, por vezes, estivessem adossadas ás portas das muralhas das cidades, a pórticos e aquedutos.

 

Arco de triunfo de Septímio Severo

 

Arco de triunfo de Tito

 

 Arco de triunfo de Constantino

 

Coluna de Trajano

 

  

Publicado Por Cíntia Pontes às 19:32
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Sábado, 10 de Janeiro de 2009

ACONTECIMENTO - O incêndio de Roma

 

 

Deflagrou na noite de 18 de Julho de 64 d.C., no núcleo comercial da antiga cidade de Roma, á volta do Circo Máximo, um enorme e violento incêndio que lavrou durante cerca de sete dias. Nesse tempo governava o imperador Nero.

 

 

O incêndio devastou grande parte da cidade, principalmente os locais onde se encontravam localizados santuários, basílicas e templos que continham obras de arte, tesouros e documentos. As perdas humanas foram também elevadas.

Nero não se encontrava na cidade mas, após receber a noticia, regressou imediatamente a Roma e demonstrou uma enorme vontade em ajudar a população, ao abrir os seus jardins aos desalojados, mandando construir barracões para os abrigar, fazendo as cidades vizinhas fornecerem alimentos e equipamentos domésticos de socorro aos sinistrados.

No meio de toda esta grande confusão, muitos dizem ter visto escravos imperiais a atear o fogo e outros ainda afirmam ter visto o imperador, no alto da Torre de Mecenas, a assistir, vitorioso, ao incêndio. 

A indignação popular cresceu e o povo manifestou-se nas ruas contra Nero. Devido a isto, o imperador apressou-se a encontrar “responsáveis”, acusando os cristãos e iniciando um ciclo de perseguições e martírios, a que foram sujeitos até ao século IV a.C. Nelas morreram centenas de fiéis da nova religião, atirados ás feras nos circos; foi ele também que ordenou a execução dos Apóstolos São Pedro e São Paulo.

Logo a seguir ao incêndio, o imperador Nero mandou reconstruir o império segundo regras bem definidas e regulamentadas, construindo novas ruas, amplas e com traçados ordenados e abriu novos fóruns.  

 

Publicado Por Cíntia Pontes às 20:34
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Sábado, 3 de Janeiro de 2009

BIOGRAFIAS - O Romano Octávio (63-14 a.C.)

 


 

Caio Júlio Octaviano César nasceu a 63 a.C. e a sua vida pública de começou em 44 a.C. quando este tinha apenas 19 anos, após o assassinato de Júlio César, de quem era sobrinho-neto e herdeiro oficial.

Na altura era um jovem tímido, modesto, sem grande presença física, com uma saúde precária e sem gosto e jeito para a carreira militar. Pouco a pouco revela ter uma grande habilidade, competência e eficiência na política.

Com prudência e diplomacia, conseguiu os apoios que necessitava, afastou os seus inimigos e tornou-se de tal modo indispensável perante o Senado e o povo romano, que acabou por acumular poderes que fizeram dele a primeira figura do Estado romano. Em pouco tempo, Octávio, sempre dentro das ordens republicanas e respeitando o mos maiorum (leis antigas), conseguiu alcançar os maiores postos do cursus honorum (magistraturas):

- O imperium proconsulare, que lhe concedeu o supremo comando militar;

- O poder tribunício, no inicio temporário e depois vitalício, que lhe concedeu todos os poderes civis;

- Conseguiu do Senado os direitos de nominatio, commendatio e adlectio, que lhe deram o direito de seleccionar e controlar os senadores e os altos funcionários da administração pública;

- Recebeu o título de augustus e pontifex maximus, que lhe concedeu o direito de controlar também o poder religioso e moral.

Com as suas principais qualidades (virtude, clemência, justiça e piedade), tornou-se o primeiro imperador de Roma e geriu o seu Império “com mãos de ferro calçadas com luvas de veludo”.

Enquanto imperador de Roma, César Augusto, aumentou o império, consolidou as fronteiras, pacificou as províncias (imposição da pax romana), reformou o aparelho administrativo, reestruturou a sociedade em classes censitárias (que pagavam impostos), restabeleceu a religião tradicional, deu um grande desenvolvimento ás artes ao atrair á sua corte poetas, escritores e artistas, e iniciou uma época de paz e prosperidade.

Gabou-se ainda, quanto a Roma, de ter encontrado uma cidade de tijolo e a ter deixado de mármore.

Em 14 d.C., morre em Nola, deixando o poder a Tibério, visto que os que estavam na linha para o suceder morreram em circunstâncias estranhas.

O Senado homenageia-o declarando o seu período de vida como Saeculum Augustum (Século de Augusto) e dando início ao seu culto divino.

 
Publicado Por Cíntia Pontes às 23:38
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Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008

A Arte da Antiguidade Clássica - Arte Romana (Contexto político-social)

 

 

" O Império Romano é a civilização helenística, nas mãos  brutais de um aparelho de Estado de origem italiana. Em Roma, a civilização, a cultura, a arte e a própria religião são quase completamente oriundos dos Gregos, ao longo de meio milénio de aculturação; desde a sua fundação, Roma, poderosa cidade etrusca, não era menos helenizada que as outras cidades da Etrúria. Se o alto aparelho de Estado, Imperador e Senado, permaneceram, no essencial, estranhos ao helenismo, em contrapartida, o segundo nível institucional, o da vida municipal (o Império Romano formava um corpo cujo células vivas eram milhares de cidades autónomas), era inteiramente grego. Desde o século II antes da nossa era, a vida de uma cidade do Ocidente latino era idêntica à de uma cidade da metade oriental do império. E, fundamentalmente, era esta vida municipal, completamente helenizada, que servia de quadro á vida privada [e quotidiana].

Roma é um povo que teve por cultura a de outro povo, a Grécia. A vontade de poder da classe dirigente romana era tão grande que se apoderava dos valores estrangeiros como se de um despojo de guerra se tratasse; nunca receou perder a sua identidade nacional, nem despojar-se da sua herança cultural; não foi xenófoba nem integrista. É por tais traços que os grandes povos se reconhecem. "

 

Paul Veyne em: Phillippe Ariès e Georges Duby (dir. de), História da Vida Privada, Do Império Romano ao Ano Mil, Vol. I, Ed. Afrontamento

 

 

 

 

O contexto político-social da Arte Romana

 

- Quando se pensa na Roma da Antiguidade Clássica, vem-nos á memória:

  • a vastidão do seu Império;
  • o poder autocrático, centralizado e divino dos seus imperadores;
  • a modernização do seu sistema jurídico, que foi durante séculos a principal fonte de organização administrativa e judicial da Igreja e dos estados europeus;
  • a meticulosa e disciplinada organização das suas legiões que conquistaram o mundo;
  • o ecletismo da sua cultura, da matriz helenística, associada a uma síntese original de influências múltiplas;
  • o mundanismo das suas elites sociais, em contraste com o esclavagismo (estrato social da Antiga Roma a que pertenciam os homens livres, não-nobres e com menores posses económicas) e as duras condições de vida da plebe (estrato social mais pobre, os escravos);
  • a superioridade da sua civilização material que rasgou estradas, construiu cidades, levantou pontes e aquedutos, desbravou florestas, arroteou campos e fundou indústrias, escolarizou e pacificou, numa gigantesca tarefa civilizacional a que modestamente demos o nome de romanização (acto de aculturação exercido por Roma sobre os diferentes povos do seu império).

- Fruto de uma longa evolução, estas características atingiram o seu auge entre meados do séc. I a.C. e meados do séc. I d.C., a época de ouro da Civilização Romana. Esse período coincide em grande parte com o governo de Octávio César Augusto, cuja acção se manifestou a vários níveis:

  • no plano militar - restabeleceu a ordem e a disciplina após a anarquia e guerra civil dos últimos tempos da República; prossegui com as conquistas e pacificou as províncias, estendendo sobre elas a pax romana;
  • no plano político - reformou o aparelho administrativo central e provincial, reforçando os poderes do imperador ao criar novos órgãos de apoio (Conselho Imperial, Guarda Pretoriana e novo corpo de funcionários dele dependente) e reduzindo os poderes do Senado, das magistraturas e dos comícios;
  • no plano social - apaziguou as lutas sociais, reordenando a população com base na igualdade (teórica) perante a lei, para os cidadãos livres, e fazendo recair sobre o montante do imposto pago (censo que Augusto tornou obrigatório) a possibilidade de se ser eleito para os cargos públicos e políticos, como o Senado e magistraturas. Com estas medidas, garantiu a coesão do corpo social, hierarquizando-o;
  • no plano cultural - usou a prosperidade económica para proteger poetas, escritores, historiadores, intelectuais e artistas, atraindo-os á sua corte e subsidiando as suas obras (início do mecenatismo, actividade cujo nome deriva de um dos mais fiéis conselheiros de Augusto - Mecenas); patrocinou numerosas obras públicas como estradas, aquedutos, pontes e termas; muniu-se de arquitectos e artesãos gregos para reformar ou construir templos, teatros, mausoléus, arcos do triunfo, entre outros e ainda para rasgar um novo fórum dedicado a ele - o Forum Augustum; construi e equipou bibliotecas públicas e fundou escolas;
  • no plano religioso - preocupou-se em restabelecer a religião tradicional, ligando-a ao culto do Imperador de Roma. Esta deposição do poder religioso nas suas mãos permitiu-lhe fiscalizar os sacerdotes e obter a capacidade de interpretar as vontades dos deuses.

- Roma, uma humilde aldeia, surgiu como cidade no séc. VIII a.C. com a união dos Latinos do Monte Palatino aos Sabinos do Monte Quirinal, formando um núcleo urbano forte. Desde aí e até ao séc. IV a.C. o seu crescimento acompanhou o crescimento político e económico do seu povo e a prodigiosa construção do gigantesco império, do qual Roma foi o centro. Dominando, pela sua posição central, o Mediterrâneo, Roma tornou-se o ponto de partida e de chegada das rotas terrestres e marítimas que uniam todas as partes do Império, possibilitando a circulação e intercâmbio de gentes, produtos e notícias veiculadas por políticos, soldados, comerciantes, colonos, escritores, artistas, entre outros. Por todas estas razões o Estado Romano teve sempre grande preocupação com a qualidade de vida da cidade e do seu espaço físico, rasgando vias e praças, construindo aquedutos para o abastecimento  de água, estabelecendo regras construtivas para os edifícios civis e públicos e embelezando-a com monumentos e peças de estatuária que lhe dessem a imponência e o fausto necessários ao poder e ao domínio que a cidade exercia.

- Capital de tão vasto império, a Urbe ou cidade (de Roma), cresceu de uma forma cosmopolita, sendo um exemplo para inúmeras cidades do império, em todas as regiões ou provincias, a nível administrativo e civilizacional, pois os romanos fizeram das cidades, as sedes do seu governo em todas as províncias do império e da vida urbana o mais rápido processo de aculturação das populações; também a nível urbanístico pois o modelo urbano romano foi também adoptado nas cidades novas, em toda a parte do império e inspirou as reformas e melhoramentos urbanos feitos em muitas outras.

- As cidades do império organizavam-se em torno de dois eixos viários ortogonais - o cardo e o décumano. No cruzamento desses dois eixos rasgavam-se os fóruns, centros administrativos, políticos e religiosos. Junto à periferia das cidades, perto das portas, erguiam-se os complexos termais, os anfiteatros e teatros.

- Como assembleia política, o Senado foi a mais velha instituição do Estado Romano, tendo existido desde a monarquia até finais do Império.

Durante a República (510-27 a.C.), foi o órgão principal da vida política romana. Inicialmente possuía funções meramente consultivas, mas com o passar do tempo começou a dominar todos os assuntos da vida pública com carácter deliberativo e normativo. Cabia-lhe, como funções ordinárias, a política externa, as decisões de guerra e paz, a gestão das festas e solenidades religiosas, a administração das finanças e a tomada de medidas relativas à ordem pública; como funções extraordinárias, podia ainda declarar o estado de sítio, suspender os tribunais, intervir no governo das províncias e na gestão do exército, preparar as leis que os comícios deviam votar, entre outras. Tal amplitude de funções, em conjunto com o prestígio dos senadores fez das reuniões do Senado, na Cúria, o palco quotidiano da vida política do império durante a República, onde a arma principal de convencimento era a palavra, a Retórica, ou arte de bem-falar, importante factor no sucesso dos oradores e na condução das discussões e votações. Com o Império, o Senado entrou em decadência. Augusto reduziu o número de membros e retirou-lhe grande parte dos seus poderes: deixou de comandar o exército e de intervir na política externa.

- Durante o Império, a centralização política usou como principal instrumento de coesão do Estado a Lei Romana (conjunto de normas de Direito, superiormente definidas), que aplicada igualmente em todo o mundo romano, uniformizou os procedimentos da justiça e dos tribunais em todas as províncias, sobrepondo-se à diversidade dos direitos locais. A superioridade das leis romanas residia: na racionalidade e na lucidez dos princípios gerais que enunciavam; no pragmatismo e na experiência que colocam na análise das situações do quotidiano; na complexidade das situações que contemplavam e que eram vividas, a todos os níveis, nas várias regiões do império. A aplicação da justiça e a chefia dos tribunais reflectiram também a estrutura centralizadora dos Estado Imperial. Entregue, durante a República, aos magistrados pretores e aos pretores, a administração da justiça passou para a alçada dos imperadores e seus funcionários, no período do Império. O direito de apelação, reconhecido a todos os cidadãos que recorressem à justiça romana, só podia ser resolvido nos tribunais presididos pelo Senado ou pelo imperador, e a este cabia todos os casos de última instância. Desta forma, o imperador centralizou em si, os poderes legislativo e judicial.

- No século de Augusto, a paz e a prosperidade económica, trazidas pelas conquistas e pelo bom governo, proporcionaram aos Romanos o usufruto do ócio (tempo livre) e alteraram esses velhos costumes. Roma e toda a Itália foram invadidas por povos de todas as partes do império. De todas, as que mais contribuíram para a alteração dos hábitos e costumes foram os gregos. Os Romanos apreciavam-lhes o falar, os conhecimentos, a cultura e muitas outras coisas, e imitaram-nos: a língua grega, falada e escrita, passou a ser utilizada entre as elites cultas; os hábitos de luxo instalaram-se nos lares; o exotismo tomou conta do vestuário e dos penteados; os banquetes e os salões privados eram frequentes e a ida ás termas um hábito indispensável; o interesse pela filosofia, música e pelas artes dominaram os meios intelectuais. Na Roma imperial, como divertimento público, popularizaram-se os jogos que inicialmente foram divertimentos para os deuses oferecidos pelos humanos, e a sua realização obedecia a programas e rituais rigorosamente estipulados. Os mais antigos eram as corridas de cavalos, no Grande Circo Máximo, onde se seleccionava o melhor animal, que no fim era solenemente sacrificado e o sangue derramado para purificar e vivificar o solo. Outras das festividades públicas tradicionais eram as Grandes Procissões, que estão na origem das representações teatrais entre os romanos. A esta tradição associaram a influência do teatro grego, dando origem ao teatro romano, cópia do primeiro. O teatro tinha também representação em festividades privadas, nomeadamente em certas cerimónias fúnebres. Os combates entre feras e, mais tarde, entre homens e feras, também eram muito apreciados. A variedade de jogos criados dependeu muito da imaginação dos magistrados, cuja principal preocupação era agradar o poder e o povo.

 

 

A plebe urbana demonstrou apreciar estes espectáculos violentos e sanguinários, enquanto que as classes superiores preferiam  o refúgio nas villas campestres, rodeados de conforto e bucolismo, onde os prazeres do campo se associavam aos da leitura, da música, da filosofia e das artes, que conheceram o seu primeiro mercado privado entre a elite próspera e sofisticada do império.

 
Publicado Por Cíntia Pontes às 11:35
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Terça-feira, 9 de Dezembro de 2008

O Pártenon e Atena Niké

 

Situados no alto da cidade, na acrópole de Atenas, estes templos são dois dos exemplos máximos do génio grego e da perfeição alcançada na arquitectura.

 

 

TEMPLO DO PÁRTENON

 


 

O Templo do Pártenon foi reconstruído sobre estruturas já existentes, no tempo de Péricles, para celebrar a vitória contra os Bárbaros. Pretendia ainda simbolizar a hegemonia de Atenas sobre as restantes cidades gregas no que se refere à cultura, à capacidade naval, ao comércio e à política em que se destacava a sua organização democrática.

O seu nome significa "casa da virgem" e foi dedicado a Athena Pallas, deusa dos atributos guerreiros e da sabedoria, guardiã e protectora da cidade-estado Atenas.

Esta construção assinala o apogeu da arquitectura grega, sendo o edifício mais carismático e esbelto e o maior templo da Grécia Antiga, e demorou 11 anos (447-436 a.C.).

Os artistas que se destacaram na sua construção e decoração foram o escultor Fídias e os arquitectos Íctino e Calícrates.

É um templo dórico, cujas colunas têm um capitel geométrico e muito simples, em forma de almofada. É ainda períptero, por ter colunas a toda a volta, e octástilo pois possui oito colunas na fachada anterior, de entrada, e posterior, e dezassete - o dobro mais uma - nas fachadas laterais; assenta sobre uma plataforma com três degraus e possuia uma rampa de acesso.

 

 

O edíficio é rodeado por uma colunata que ladeia o peristilo, suporta a arquitrave, o friso e a cornija e que lhe confere um carácter particular, onde se une força, robustez e elegância.

O seu corpo central é dividido em três espaços: o pronaos, o naos ou cella, que continha a estátua criselefantina (feita em ouro e marfim) de 12 metros de altura, da deusa Atena Parteno, executada por Fídias, e o opistódomos onde se encontrava guardado o tesoura da "Liga de Delos", que estava a cargo de Atenas. O pronaos e o opistódomos abrem-se sobre um pórtico interno com seis colunas.

 

A cobertura do templo era feita por um telhado de duas águas, que formava os frontões triangulares que eram preenchidos por relevos. Era decorado com cores vivas tais como o vermelho, o azul e o dourado e foi construído em mármore branca que com o tempo adquiria um suave tom dourado.

Reconstituições feitas a computador do templo do Pártenon, com as cores e decoração originais

 

A decoração esculpida encontra-se nos frisos e nos frontões: no friso exterior estão representadas quatro lendas bélicas - na fachada meridional, a luta dos Centauros contra os Lápitas, na fachada ocidental a luta dos gregos contra as Amazonas, na fachada setentrional a tomada de Tróia e na fachada oriental a luta dos Deuses contra Gigantes; no friso interior, ao longo longo da parte superior das paredes exteriores da cella, situa-se o friso jónico contínuo da Procissão das Grandes Panateneias (personagens e animais, organizados em desfile transportando o novo manto em ouro que as jovens atenienses ofereciam à deusa Atena, de quatro em quatro anos); no frontão este está representado o nascimento de Atena, saindo da cabeça de seu pai, Zeus, e no frontão oeste, a disputa da Ática por Atena e Poseídon.

 

Colunas dóricas do templo

 

Pormenor do frontão, dos frisos e das colunas do templo

 



Relevo da fachada meridional - Luta dos Centauros contra os Lápitas

 

 


Relevos das paredes exteriores da cella - Procissão das Grandes Panateneias

  


Detalhe da parte superior do templo, mostrando a inserção do relevo nas métopas

 

Os deuses a assistir á Procissão das Panateneias (fig. cima - Poseídon, Apolo e Artemisa; fig. baixo - Atenas e Hefestos)

 

Relevo da fachada setentrional a tomada de Tróia

 


Relevos do frontão do templo

 

 

Toda a estrutura do templo do Pártenon pode ser lida de uma maneira significativa: o povo eram as colunas; o conjunto dos pórticos de entrada, encimados pelo frontão e colocados paralelamente, funcionavam como orgãos do tear, que era o símbolo de todos os lares gregos; e, por último, o engrossamento das colunas, provocado pela entasis, sugerem visualmente as velas de um barco insufladas pelo vento, que simbolizam o poder bélico e económico de Atenas.


 

 

 

O TEMPLO DE ATENA NIKÉ

 

O templo de Atena Niké ou Niké Áptera (que significa vitória sem asas) é um hino á deusa Niké e à feminilidade que a ordem jónica representa.

 

Construído entre 432 e 420 a.C., o templo ergue-se no muro oriental da muralha da acrópole de Atenas e seguiu o plano do arquitecto Calícrates.

O templo era rodeado por uma balaustrada (espécie de varanda), mais tardia que o templo, que tinha como objectivo proteger os peregrinos do precipício a que se elevava o templo.

Reconstituição feita a computador mostrando a aspecto original do templo com a balaustrada á volta

 

É um templo de dimensões reduzidas, localizado á direita da entrada da acrópole e enquadrado obliquamente em relação ao Propileus (entrada monumental para a acrópole).

Enquadramento do templo no Propileus

 

 

Construído em mármore pantélico, é um templo jónico anfipróstilo, pois possui quatro colunas nas fachadas principal e posterior, que se destaca pela extrema simplicidade.

 

 

Devido ao reduzido espaço para a sua construção, o templo continha apenas uma pequena cella, sem opistódomos.

 

 

A sua requintada decoração, concentrada no friso, é uma obra do escultor Agorácrito. O friso é uma faixa contínua onde aparecem representados os deuses do Olimpo, sentados ou de pé, seguindo atentamente as batalhas entre Gregos e Persas. A balaustrada do templo era decorada com uma série de vitórias aladas (nikái), cujas personagens possuiam atitudes graciosas e grande harmonia de proporções, erguendo troféus e celebrando sacríficios.

Frisos do templo decorados com cenas das batalhas entre Gregos e Persas

 

 

Nos frontões a decoração possuia uma temática diferente: a este, a dos gigantes, e a oeste, a das amazonas.

A decoração esculpida deste templo é um verdadeiro hino à beleza e à harmonia.

Um dos seus mais famosos relevos é a "Niké desapertando a Sandália".

 

Estas figurações não são apenas corpos estruturais envolvidos  em vestuário, mas sim formas moldadas por drapeados flutuantes e transparentes, que fazem sobressair uma sensualidade subtil, que anuncia a arte do séc. IV a.C.

 

 

 

Publicado Por Cíntia Pontes às 15:09
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Quinta-feira, 27 de Novembro de 2008

O Estádio e o Teatro Grego

 

O estádio e o teatro eram duas das instituições socioculturais mais importantes da cidade grega, pois neles se celebravam inúmeros e programados concursos e festivais que faziam parte do culto cívico, cultural e religioso.

Os maiores santuários da cidade possuiam na sua área os teatros e estádios, a par de templos, tesouros, oráculos, hipódromos e acomodações para sacerdotes e peregrinos. Em todos eles havia celebrações de festivais que se realizavam na data de aniversário do Deus a que eram destinados, dos quais faziam parte cerimónias religiosas, concursos ginasiais, hípicos e atléticos, concursos líricos e musicais, de tragédia e comédia e, por vezes, também concursos de beleza para homens e mulheres.

 

 

O ESTÁDIO

 

Os estádios eram construções destinadas á prática de jogos. A formação escolar grega incluía aprender a ler, escrever, contar, tocar um instrumento, cantar, recitar, dançar e praticar exercício físico nos ginásios, a fim de se prepararem para a Guerra e também para os jogos.

Nos jogos só podiam participar os cidadãos gregos que fossem membros da boa sociedade e tivessem boa consciência para com os homens e para com os Deuses; por isso os atletas não eram profissionais.

Os melhores recebiam coroas de oliveira ou de loureiro e a admiração e estima dos seus compatriotas, pois conseguiram ultrapassar os seus próprios limites na procura da excelência, atingindo o supremo valor do pensamento grego. Além disso, eram também imortalizados pelos poetas nos seus cantos de vitória e pelos escultores nas suas estátuas.

No séc. IV a.C, por várias razões, as competições desportivas decaíram e os participantes passaram a ser profissionais. Em 393 a.C., o imperador Teodósio proibiu estes jogos, considerando-os pagãos.

 

Estádio de Epidauro, sécs. V e IV a.C.

 

 Estádio de Delfos, séc. V a.C.

 

 Ruínas do Estádio de Olímpia

 

 Estádio de Priene, período helenístico

 

 

O TEATRO

 

O teatro (theatron - local onde se vai para ver) nasceu no séc. VII e revestiu-se de grande importância entre os gregos, por diversas razões. Pensa-se que está relacionado ao culto do Deus Dionísio (Deus do Vinho).

Pisístrato e Péricles foram os dois grandes impulsionadores do teatro em Atenas. O primeiro organizou os primeiros concursos dramáticos em 534 a.C., e o segundo foi o grande defensor do teatro, nomeadamente com o theórikon (Péricles oferecia bilhetes aos mais pobres, para que estes também podessem assistir ao espectáculo).

O teatro tinha uma função cultural e de formação cívica e religiosa dos espectadores, levando-os a pensar e a reflectirem sobre o sentido da existência humana, o destino do Homem, o poder dos Deuses e a vingança destes sobre quem os desafiasse. Era também através do teatro que se ensinavam as virtudes aos cidadãos (ética, moderação, humanismo, pacifismo, sabedoria, coragem, entre outras), levando-os também a reflectir sobre os vícios dos homens (adultério, ambição, maldade, desrespeito pelas leis e pela religião, entre outros).

Os concursos estavam a cargo de um grupo de altos magistrados e cidadãos ricos (coregia), que escolhia as peças, nomeava os actores e financiavam o espectáculo.

Os actores ou hipócritas eram sempre homens e interpretavam na mesma peça vários papéis, inclusivé papéis femininos, por isso usavam uma grende variedade de trajes e também máscaras que os ajudavam a caracterizar a personagem.

Existia também o coro, que dançava e cantava ao som do oboé, pois poesia, dança e música estão sempre interligados.

As representações duravam quatro dias seguidos, sem entreactos ou intervalos; tinham sempre uma assistência muito concorrida, atenta, divertida e participativa.

Os primeiros teatros eram construções bastante simples: a orquestra ficava no ponto mais baixo, em terra batida; as bancadas eram em madeira ou cávea e estavam dispostas em semicírculo nas vertentes naturais; e o palco ou cena era uma espécie de estrado com uma tenda que servia de cenário e camarim para os actores. Os teatros em pedra surgiram apenas do final do séc. V a.C., nas cidades e nos santuários, construídos no declive das colinas, pois a depressão geográfica criava boas condições acústicas e propiciava a visão total do espaço, e virados para o mar ou para a montanha, pois a paisagem natural integrava o cenário.


 

A tragédia é o género mais antigo e atingiu o seu apogeu no tempo de Péricles pois este considerava o teatro uma verdadeira instituição pública com fins cívicos e religiosos, para além de promover também a cultura dos cidadãos atenienses. A tragédia era escrita em verso e o seu conteúdo estava quase sempre ligado ás antigas histórias religiosas, representando a vida dos deuses e a loucura e insensatez do Homem, numa luta constante entre as forças humanas e as forças divinas e do destino que, devido ao fatalismo e à maldição, se impõe.

O enredo, descrito em tensão crescente, prende o espectador que vai pressentindo a iminência da catástrofe.

Dentro deste género os principais representantes são:

Ésquilo (525-456 a.C.), conhecido como o verdadeiro criador da tragédia grega;  as suas peças mais conhecidas são: "Os Persas" e "Prometeu Acorrentado";

 

Sófocles (495-405 a.C.), o autor mais premiado. As suas obras mais conhecidas foram: "Ajax", "O Rei Édipo" e Antígona", onde descreve o homem comum, com carácter e sentimentos, numa construção perfeita e de grande sentido dramático, onde o suspense está sempre presente;

 

Eurípedes (485-406 a.C.), que em obras como "Medeia" e "Electra", realçou o papel da mulher, questionou a religião e a tradição, incentivando e provocando no espectador a admiração e o respeito pelo cidadão e pelo camponês humilde e digno, que, numa atitude revolucionária, lutam contra o destino e contra os ricos, pela defesa da igualdade política e pela justiça social.

 

Outro género do teatro foi a comédia, mais tardia e menos duradoura que a tragédia. O seu conteúdo estava principalmente ligado aos assuntos do quotidiano e da vida terrena, ridicularizando com um grande espírito crítico e liberdade os vícios, hábitos, modas e atitudes dos políticos, filósofos, escritores e até dos deuses.

 

Neste género o seu principal representante foi:

Aristófanes (445-385 a.C.), conhecido pela sua fecunda inspiração, virtuosismo verbal, liberdade de linguagem, veia cómica e impiedosa sátira e por questionar a actualidade política e social e elogiar a excelência dos costumes antigos; as suas principais obras são: "A Rã", "As Moscas na Figueira", "A Assembleia de Mulheres" e "Os Cavaleiros".

 

 


Teatro de Dionísio

 

Teatro de Mileto

 

Teatro de Pérgamo

 

Publicado Por Cíntia Pontes às 03:04
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