Segunda-feira, 23 de Junho de 2008

A Arte da Antiguidade - Arte Egípcia

 


A arte Egípcia refere-se a toda a arte desenvolvida e aplicada pela civilização do Antigo Egipto, localizada no Vale do Rio Nilo, no Norte de África. Esta manifestação artística teve a sua supremacia na região durante um longo período de tempo, estendendo-se aproximadamente pelos últimos 3000 anos antes de Cristo e demarcando diferentes épocas que auxiliam na clarificação das diferentes variedades estilísticas adoptadas: Período Arcaico ou Tinita, Antigo Império, Médio Império, Novo Império e Época Baixa e vários períodos intermédios, mais ou menos curtos, que separam as grandes épocas, e que se pautam pela turbulência e obscuridade, tanto social e política como artística. Apesar destes diferentes momentos da história, a verdade é que incutem somente pequenas nuances na manifestação artística que, de um modo geral, segue sempre uma vincada continuidade e homogeneidade.

 

- Serviu principalmente objectivos políticos e religiosos;

- Representa, exalta e homenageia constantemente o faraó (soberano absoluto, representante de Deus na Terra) e as diversas divindades da mitologia egípcia, sendo aplicada principalmente a peças ou espaços relacionados com o culto dos mortos, isto porque a transição da vida à morte é vista, antecipada e preparada como um momento de passagem da vida terrena à vida após a morte, à vida eterna e suprema. O faraó é imortal e todos seus familiares e altos representantes da sociedade têm o privilégio de poder também ter acesso à outra vida. Os túmulos são, por isso, um dos marcos mais representativos da arte egípcia, lá são depositados as múmias ou estátuas (corpo físico que acolhe posteriormente a alma (ka) e todos os bens físicos do quotidiano que lhe serão necessários à existência após a morte;

- É profundamente simbólica. Todas as representações estão repletas de significados que ajudam a caracterizar as figuras, a estabelecer níveis hierárquicos e a descrever situações. Do mesmo modo a simbologia serve à estruturação, à simplificação e clarificação da mensagem transmitida criando um forte sentido de ordem e racionalidade extremamente importantes;

- A harmonia e o equilíbrio devem ser mantidos, qualquer perturbação neste sistema é, consequentemente, um distúrbio na vida após a morte. Para atingir este objetivo de harmonia são utilizadas linhas simples, formas estilizadas e simplificadas, níveis rectilíneos de estruturação de espaços, manchas de cores uniformes que transmitem limpidez e às quais se atribuem significados próprios:

  • Preto (kem) - obtido a partir do carvão de madeira ou de pirolusite (óxido de manganésio do deserto do Sinai); associado à noite e à morte, mas também à fertilidade e à regeneração; era utilizado nas sobrancelhas, perucas, olhos e bocas. O deus Osíris era muitas vezes representado com a pele negra, assim como a rainha deificada Ahmés-Nefertari;
  • Branco (hedj) - obtido a partir da cal ou do gesso; cor da pureza e da verdade; era utilizado nas vestes dos sacerdotes e nos objectos rituais. As casas, as flores e os templos eram também pintados a branco;
  • Vermelho (decher) - produzido a partir de ocres; o seu significado é ambivalente: por um lado representa a energia, o poder e a sexualidade, por outro lado está associado ao maléfico deus Set, cujos olhos e cabelo eram pintados a vermelho, bem como ao deserto, local que os Egípcios evitavam; era a vermelho que se pintava a pele dos homens;
  • Amarelo (ketj) – obtido a partir do óxido de ferro hidratado (limonite); dado que o sol e o ouro eram amarelos, os Egípcios associaram esta cor à eternidade; as estátuas dos deuses eram feitas a ouro, assim como os objectos funerários do faraó, as máscaras por exemplo;
  • Verde (uadj) - produzido a partir da malaquite do Sinai; simboliza a regeneração e a vida; a pele do deus Osíris poderia ser também pintada a verde;
  • Azul (khesebedj) - obtido a partir da azurite (carbonato de cobre) ou do óxido de cobalto; associado ao rio Nilo e ao céu.

- A hierarquia social e religiosa traduz-se, na representação artística, na atribuição de diferentes tamanhos ás diferentes personagens, consoante a sua importância. Por exemplo, o faraó será sempre a maior figura numa representação bidimensional e a que possui estátuas e espaços arquitectónicos monumentais. Reforça-se assim o sentido simbólico, em que não é a noção de perspectiva (dos diferentes níveis de profundidade física), mas o poder e a importância que determinam a dimensão;

 - Embora a arte egípcia seja estilizada é também uma arte de atenção ao pormenor, de detalhe realista, que tenta apresentar o aspecto mais revelador de determinada entidade, embora com restritosângulos de visão. Para esta representação usaram apenas três pontos de vista pela parte do observador: de frente, de perfil e de cima, que cunham o estilo de uma forte componente estática, de uma imobilidade solene.
O corpo humano, sobretudo o de figuras importantes, é representado utilizando dois pontos de vista simultâneos, que oferecem maior informação e favorecem a dignidade da personagem: os olhos, os ombros e o peito representam-se vistos de frente e a cabeça e as pernas representam-se vistos de lado - Lei da Frontalidade.

 

O facto de, ao longo de tanto tempo, a arte egípcia pouco ter variado e se terem verficado poucas inovações, deve-se aos rígidos cânones a que os artistas tinham de obedecer e que, de certo modo, impunham barreiras ao espírito criativo individual.
A conjugação de todos estes elementos marca uma arte robusta, sólida, solene, criada para a eternidade.

 

 

 

 

PERIODO ARCAICO OU TINITA

 

- Até 2686 a.C.;

- Durante este período e após a descoberta da escrita, o Egipto já está unido e o seu desenvolvimento artístico acelera, estabelecendo os traços princípais e característicos da arte egípcia;

- Abandono do primitivismo formal;

- Algumas influências da arte mesopotâmica, especialmente nas fachadas de templos;

- Uso do adobe cozido ao Sol, substituído no final do período pela pedra.

 

Pirâmide de Djoser

 

 

Escultura do período Arcaico


 

 

ANTIGO IMPÉRIO

 

- 2686 - 2181 a.C.;

- A III Dinastia é remetida por muitos historiadores para o início do Antigo Império. Com a transição para a pedra surge também a arquitectura monumental e a vincada noção egípcia de eternidade vinculada ao faraó;

- A mastaba (capela com forma de um tronco de pirâmide) assume-se como o túmulo para particulares por excelência, inicialmente em forma quadrangular ou de pirâmide truncada (mais tarde pirâmide de degraus);

- A edificação assume um objectivo simbólico;

- Com o Império Antigo estabelece-se a calma e a segurança, bases ao próspero e veloz desenvolvimento da sociedade egípcia onde se estabelecem hierarquias governamentais;

- Durante a IV Dinastia edificam-se o monumental conjunto arquitectónico de Gizé (pirâmides de Quéfren, Quéops e Miquerinos) que fascinam pela sua impressionante construção; constrói-se a Esfinge (corpo de leão e cabeça humana, especialmente a de um Faraó), com dimensões gigantescas, que visa homenagear o poder do Faraó;

- Na V Dinastia as dimensões monumentais da arquitectura são reduzidas á escala humana.

 

Grande pirâmide de Gizé

 

Pirâmide de Quéops

 

 

Esfinge de Gizé com a pirâmide de Quéfren atrás

 

 

- Na escultura definiram-se duas tipologias de concepção: a estatuária real, onde se verifica um desejo de imponência; e a estatuária de particulares, com maior realismo e naturalismo;

 - As proporções do corpo humano tornam-se mais harmoniosas e equilibradas, e existe uma maior atenção ao pormenor;

- Caracteriza-se pelo estilo hierático (as figuras mais importantes tem maior altura do que as menos importantes), a rigidez, as formas cúbicas e a frontalidade;

- Gosto pelas estátuas-retrato de grande robustez pelo seu volume cúbico e imobilidade;

- As figuras apresentam-se de pé (com a perna esquerda ligeiramente à frente) ou sentadas (na V Dinastia surge a posição do escriva sentado de pernas cruzadas) e denota-se a diferente coloração da pele usada nas figuras masculinas (mais escura) e nas femininas (mais clara);

 

         

 

- Na decoração tumular propagam-se as representações realistas do quotidiano;

- Os materiais utilizados foram: dionte, granito, xisto, basalto, calcário e alabastro.

 

Tríade de Menkauré

 

 

- A escultura em relevo serviu dois propósitos fundamentais: glorificar o faraó (feita nos muros dos templos) e preparar o espírito dos defuntos, no seu caminho até á eternidade (feita nos túmulos).

 

 

 

- Na cerâmica, as peças ricamente decoradas do período arcaico foram substituídas por belas peças não decoradas, de superfície polida e com grande variedade de formas e modelos, destinadas a servir de objectos de uso quotidiano. Já as jóias eram feitas em ouro e pedras semipreciosas, com formas e desenhos inspirados na fauna e na flora.

 

 

PRIMEIRO PERÍODO INTERMEDIÁRIO

 

- 2181 - 2040 a.C.;

- Os tempos políticos conturbados reflectem-se também na arte tornando-a quase inextistente e com uma maior incidência nos textos literários, que expressam a revolução espiritual da época. Através das pilhagens de túmulos, a arte restrita aos faraós e figuras de maior importância passa para a mão do homem “mortal” que acredita ter o mesmo privilégio da vida eterna.

 

 

 

 

Publicado Por Cíntia Pontes às 17:32
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