Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009

A Arte da Antiguidade Clássica - Arte Romana

 

ARQUITECTURA


- De todas as formas da arte romana, é a arquitectura que melhor testemunha o génio inventivo e prático de Roma e que melhor documenta a sua evolução histórico-social;

- A arte romana sofreu duas fortes influências: da arte ítalo-etrusca, popular, voltada para a expressão da realidade vivida e reveladora de um povo alegre e amante da vida, e da arte greco-helenística, orientada para a expressão de um ideal de beleza; dos etruscos herdaram vários conhecimentos e técnicas tais como: a utilização do arco e da abóbada; a construção de cidades muralhadas com traçado rectilíneo das ruas; a realização de pontes, túneis, esgotos e estradas; a edificação de templos com pódio, pórtico com colunas de madeira, telhados de duas águas e beiral, cella, proporções quase quadradas e paredes de tijolo cru; e a produção de túmulos de várias formas, cujas características se assemelhavam ás casas dos vivos. Aos gregos foram buscar as concepções clássicas dos estilos jónico, dórico e coríntio, aos quais associaram novos estilos, como o toscano e o compósito, que aplicaram na decoração arquitectónica; imitaram as plantas dos templos rectangulares e circulares na construção de basílicas e outros edifícios como os teatros e a domus, cuja concepção parte do peristilo grego, transformando-o um núcleo residencial; o urbanismo romano também adquiriu influências gregas, pois a partir da acrópole e da ágora gregas, os Romanos passaram ao Capitólio e ao fórum de Roma.

 

Muralha Serviana, Roma, séc. IV a.C.

 

Muralha de Adriano, Grã-Bretanha

 

 

- Pragmática, funcional, colossal e magnificente, a arquitectura romana preocupou-se essencialmente com a resolução dos aspectos práticos e técnicos da arte de construir, respondendo com soluções criativas e inovadoras ás crescentes necessidades demográficas, económicas, políticas e culturais da cidade e do império;

- Nas suas construções os Romanos usaram materiais tradicionais como a pedra, o tijolo, a mármore e a madeira, e outros, mais económicos e fáceis de trabalhar, criados ou recriados por eles de forma inovadora - falamos dos diferentes tipos de opus (termo usado pelos romanos para designar o material ou o tipo de organização dada ao material empregue numa construção. Distinguem-se vários tipos: opus incertum, que usa pedras pequenas e irregulares unidas por argamassa; opus recticulatum, semelhante ao anterior mas com revestimento exterior regular, feito com pequenas pirâmides de calcário cunhadas na parede com a base para fora; opus quadratum, que usa silhares de pedra aparelhada, sobrepostos sem argamassa, cuja coesão é garantida pala colocação de grampos metálicos; opus testaceum, constituído por ladrilhos cozidos dispostos de modo a fazer desenhos quadrados ou triangulares; e opus caementicium), dos quais o mais importante foi o opus caementicium, uma espécie de argamassa de cal e areia, a que se adicionavam pequenos pedaços calcário, pozolana (material de origem vulcânica), cascalho e restos de materiais cerâmicos, que criava uma pasta moldável enquanto húmida, semelhante ao actual cimento ou betão que, depois de seca, se igualava à pedra na solidez e na consistência. A sua utilização desde o séc. IV a.C, facilitou e tornou mais rápida e económica a construção de estruturas complicadas como as coberturas abobadadas ou cupuladas e ainda as paredes arredondadas e em abside; o emprego deste material obrigou ao uso de vários paramentos (revestimento exterior) que disfarçassem o aspecto final pouco decorativo das estruturas. Deste modo, os Romanos inventaram diferentes almofadados em pedra e tijolo e aplicaram revestimentos exteriores com relevos em estuque, placas de mármore policromo ou ladrilhos cozidos. Nos interiores, o revestimento era feito com pedras nobres, mármores, mosaicos e estuques pintados;

- Criaram novos sistemas construtivos, que tiveram como base o arco e as construções que dele derivam: os diferentes tipos de abóbadas, as cúpulas e as arcadas (conjunto de colunas unidas superiormente por arcos).  Na verdade estas estruturas não foram inventadas pelos Romanos pois já haviam sido usadas pelos Etruscos e os próprios gregos conheciam o arco, embora nunca o tenham usado. Contudo, nenhum destes povos soube aplicar estes sistemas com tanta perícia técnica e com tanta eficácia e inteligência arquitectónica. A sua utilização, aliada aos novos materiais, permitiu aos Romanos criar variadas tipologias arquitectónicas, diversificar as plantas, projectar compartimentos mais amplos e articular melhor os espaços interiores;

- Desenvolveram as técnicas e os instrumentos de engenharia, assumindo-a como o suporte da arquitectura e atribuindo-lhe, pela primeira vez, uma base científica; realizaram neste campo grandes progressos: aperfeiçoamento dos conhecimentos de orografia e topografia; uso de técnicas de terraplenagem (acto de nivelar os terrenos de modo a prepará-los para a execução da obra); desenvolvimento de processos de embasamento e de suporte; invenção de cofragens (dispositivo amovível de madeira destinado a conter as massas de betão fresco nas formas projectadas; espécie de molde) e cimbres (armação de madeira que suporta e/ou molda os arcos ou abóbadas), que serviram para montar e moldar as estruturas construtivas, economizando assim a mão-de-obra e o tempo da construção; utilização dos grampos de metal para fortalecer as juntas entre os blocos de pedra ou nas zonas de maior pressão dos edifícios.

- A decoração utilizada pelos Romanos pautou-se pelo barroquismo (acto de complicar as formas e os elementos decorativos pela profusão e exagero dos mesmos), que preferiram o exagero ornamental ao equilibrado sentido estético e simples dos Gregos; utilizaram os elementos gregos tais como colunas, entablamentos e frontões, como meras "peças"decorativas, sem qualquer função estrutural, inovando-as ao alterarem as suas formas e proporções; criaram ainda duas novas ordens: a toscana (capitel simples, semelhante ao estilo dórico) e a compósita (junção da ordem jónica e da coríntia; o capitel é decorado com volutas e folhas de acanto).

 

 

 

» Arquitectura religiosa

 

- Desempenhou funções religiosas, políticas e sociais e encontra-se largamente representada entre as construções romanas;

- Os edifícios religiosos assinalavam, pelo seu valor sagrado e simbólico, os lugares mais importantes das cidades. Entre eles destacavam-se os simples altares (uma espécie de pequenos templos erguidos sobre um pódio e fechados a toda a volta por um muro, decorado com relevos, e só interrompido pela escadaria frontal; o interior é descoberto e composto por um altar, elevado sobre um pedestal de mármore; possuíam um carácter comemorativo), os santuários e os templos, destinados ao culto dos imperadores (divinzados após a morte) e aos Deuses;

 

Altar da Paz (Ara Pacis), Ano 13 a.C., Roma - vista frontal, lateral e traseira e alguns dos seus frisos, respectivamente

 

 

- Os templos romanos do período republicano apresentavam algumas características comuns a todos eles: erguiam-se sobre um estrado em pedra maciça, denominado pódio; possuíam um carácter frontal, com a fachada assinalada pelo pórtico e pela escadaria de acesso ao templo; tinham geralmente uma planta rectangular (tendo existido também, templos de planta circular), apenas uma cella e na maioria das vezes não tinham peristilo, pois as colunas laterais se encontravam embebidas ou adossadas ás paredes exteriores da cella; as colunas e o entablamento eram uma imitação grega, seguindo uma das ordens clássicas, mas possuíam apenas uma função decorativa;

- Mais grandiosos eram os santuários, constituídos por vastos recintos abertos para a paisagem, construídos como amplos anfiteatros rodeados de arcadas, atrás das quais havia templos, alojamentos para sacerdotes e crentes, lojas e outras dependências.

 

Templo de Vesta, Roma, séc. I a.C

 

Templo coríntio, Maison Carré, Ano 16 a.C., Roma

 

Templo- Santuário de Júpiter, Líbano, séc. I d.C.

 

 Templo de Diana, Évora

 

 

Panteão de Roma, mandado construir pelo imperador Adriano, para honrar os Deuses da Terra e do Céu, visando a unidade e a fusão de todas as doutrinas religiosas e diversos Deuses que cada povo conquistado por Roma tinha: vista frontal (fig. 1), vista traseira (fig.2), vista lateral das colunas que rodeam o portico (fig.3), a entrada (fig.4 e 5), os interiores (figs. 6, 7, 8, 9, 10 e 11) e a sua planta (fig. 12)

 

 

 

 

» Obras públicas

 

- As construções públicas foram o tipo de arquitectura em que os Romanos melhor expressaram o seu engenho técnico e originalidade, mas também as que melhor traduzem o desejo de poder e de grandeza deste povo;

- Abundantes desde o período da República, estas obras foram essenciais durante o Império, devido à enorme expansão territorial e ao crescente aumento demográfico. Foram poucos os imperadores que não deixaram o seu nome ligado a um grande melhoramento público, útil para o povo ou para o embelezamento da cidade;

- Durante o período da República salienta-se a construção de obras com carácter prático e utilitário como as estradas, as pontes e sobretudo os aquedutos, essenciais ao abastecimento de água às cidades e às termas;

 

 

Estrada romana em Pompeia

 

Estrada romana em Argoncilhe, Santa Maria da Feira

 

 Aqueduto e Ponte do gard, França, final do séc. I a.C.

 

 Ponte de Segura, Castelo Branco

 


Aqueduto romano em Espanha

 

Ponte romana em Chaves

 

 Ponte de Alcantara, Espanha

 

 Aqueduto romano na Tunísia

 

 

- O período imperial, por sua vez, deu ênfase a construções mais grandiosas e imponentes destinadas à vida pública, cada vez mais complexa, ou ao lazer e divertimento da população (embora muitas destas construções já existissem durante a República). Destas salientam-se:

  • As basílicas, construidas com coberturas em abóbadas de arestas e com cúpulas e semicúpulas sobre as absides laterais, que permitiam criar compartimentos interiores mais amplos e iluminados, que abrigassem um grande número de pessoas. Tinham como principais funções albergar tribunais, cúrias e outras repartições públicas, como termas, mercados, bolsas de mercadores e palácios imperiais;

Ruínas da Basílica de Maxêncio ou Constantino, Roma, séc. IV

 

Ruínas da Basílica Emília, período republicano

 

 

  • Os anfiteatros, construções mais populares da arquitectura romana do lazer, exerceram um importante papel sócio-recreativo. Possuíam planta circular ou elíptica, sem cobertura e tinham vários andares (geralmente três ou quatro), sustentando-se a si proprios, graças aos complexos sistemas de abóbadas radiais e concêntricas, que suportavam as galerias sob as bancadas e a própria arena; a parede exterior, circular, ostentava três níveis de arcos, ladeados por colunas adossadas com ordens diferentes em cada andar, separados por entablamentos e encimados por um ático sem arcadas, mas com pilastras adossadas;

 Anfiteatro Flávio, mais conhecido como Coliseu de Roma, séc. I

 

 

  • Os teatros, semelhantes aos anfiteatros na forma e na decoração exterior, mas de menor porte; apresentavam influências gregas na construção; não precisavam de locais apropriados para se erguerem porque graças aos sistemas construtivos romanos, sustentavam-se a si próprias; embora fossem ao ar livre, eram fechados em torno de si mesmos, porque as paredes da cávea (estrutura onde, segundo a escala social, se sentavam os espectadores), em anfiteatro, uniam-se à cena. A orquestra era semicircular e a cena, mais elaborada, possuia vários andares colunados até à altura da última bancada; é ainda de salientar que os primeiros teatros romanos, construidos até finais da república, tinham um carácter bastante efémero: eram feitos em madeira e demolidos logo após o acontecimento para o qual tinham sido construidos;

 

Teatro de Marcelo, Roma, séc. I a.C.

 

  • As termas, que mais do que simples balneários públicos, tornaram-se importantes locais de encontro e convívio social e símbolos do poder político. Continham piscinas de água quente e fria, saunas, ginásios, estádios, hipódromos, salas de reunião, bibliotecas, teatros, lojas e amplos espaços verdes, ao ar livre. Devido a todas estas funções, eram construções de escala monumental e pautavam-se pelo apurado sentido de ordem e simetria das suas plantas, pela estruturação dinâmica e funcional dos seus interiores, pela conjugação harmoniosa das várias volumetrias, pelas arrojadas coberturas abobadadas ou cupuladas e ainda pela belissima articulação entre interiores e exteriores. Ostentavam uma rica decoração, com revestimentos a mármore policromo, belas composições de mosaicos, pinturas em estuque e muita estatuária artística.


Ruínas das termas de Carcala em Roma e um dos seus mosaicos decorativos

 

 Mármores policromos decorativos das termas de Saragoça, Espanha

 

Decoração das termas romanas com pinturas em estuque

 

Termas romanas em Espanha

 

 

 

» Arquitectura privada

 

- Menos imponente que as demais obras romanas, mas igualmente genial, foi a arquitectura privada bastante usada pelos Romanos, que possui duas tipologias distintas:

  • A domus, o lar tradicional dos Romanos, a casa unifamiliar e privada; eram feitas em tijolo e ladrilho cozido, apresentando um aspecto exterior modesto; geralmente possuia apenas um piso ou dois e tinha um telhado ligeiramente inclinado para o interior, coberto com telhas de cerâmica; não possuia aberturas para o exterior, excepto a porta principal e , por vezes, uma outra nas traseiras; as dependências internas organizavam-se em torno de um ou dois pátios interiores (o atrium e o peristilo), pelos quais se fazia a iluminação e ventilação da casa e a circulação das pessoas; a decoração interior baseava-se nos pavimentos de mármore policromo ou de mosaicos, e nos belissimos estuques pintados das paredes das divisões nobres (triclinium, sala de jantar e tablinum, escritório ou sala de estar). As famílias mais abastadas possuíam variantes maiores e muito mais luxuosas do modelo acabado de descrever, rodeadas de grandes e belos jardins, as villae ou  villas, moradias construídas, muitas vezes, fora da cidade, num arredor rural aprazível e surpreedente; os imperadores e suas famílias mandaram construir villas grandiosas (os palácios imperiais), verdadeiras cortes que albergavam uma numerosa criadagem, as milícias militares e as comitivas políticas;

 

 

1. Vestíbulo; 2. Átrio; 3. Impluvium (Tanque para recolha das águas da chuva); 4. Alas laterais do átrio; 5. Tablinum; 6. Triclinium; 7. Cozinha; 8. Quartos; 9. Lojas;                 10. Peristilo

 

Vista exterior de uma Domus Romana e a sua respectiva planta

 

Átrio de uma domus romana

 

Ruínas da Domus Augusteana 

 

Ruínas da Domus Aurea (palácio imperial do imperador Nero) e uma das suas pinturas a fresco decorativas

 

Ruínas do peristilo da Casa dos Vetti, Pompeia

 

Mosaicos e pinturas a fresco da Villa del Casale

 

 

 

Villa Adriana, "obra" do imperador filósofo e grande viajante, Adriano, que fez desta villa uma espécie de museu, repleto de réplicas das construções e dos locais qua mais o haviam impressionado, feitas à escala humana, mas colocados no terreno de modo imaginativo e sem qualquer submissão á axialidade: o palácio imperial (fig. 1), a hospitalia (alojamento dos soldados da guarda pretoriana fig. 2 e 3), as termas e um dos seus mosaicos decorativos (figs. 4 e 5), o Canopo (pequeno lago que simboliza um antigo canal que ligava as duas cidades egípcias de Alexandria e de Canopo - figs. 6 e 7), o teatro Marítimo (fig. 8), o ginásio (fig. 9)

 

 

  • As insulae, autênticos prédios urbanos para rendimento, que alojavam as famílias mais pobres; tinham em média três ou quarto andares, mas muitas delas atingiram os oito pisos. O rés-do-chão era geralmente recuado e utilizado para lojas, abertas para a rua. Assemelhavam-se a autênticas colmeias humanas e eram construídas com os materiais mais económicos como o tijolo, a madeira e a taipa. Levantaram grandes e graves problemas urbanísticos tais como o abastecimento de água, os esgotos, o mau isolamento acústico e térmico, o exagerado número de andares, a higiene e as normas de segurança, devido aos frequentes incêndios e às escadas de acesso, íngremes e apertadas, que dificultavam as evacuações. Apesar de tudo isto, estas construções apresentam um grande interesse, nomeadamente em relação: à técnica usada para a construção em altura; à preocupação funcional da planta, com os apartamentos com acesso, em galeria, ao pátio central, aberto desde o rés-do-chão; ao tratamento das fachadas não revestidas, onde se rasgavam fileiras simétricas de janelas, numa antecipação de estilos vindouros.

 

 

 

» Arquitectura comemorativa

 

- O espírito histórico e triunfalista dos Romanos levou-os a produzirem obras com fins comemorativos e que assinalassem, pela sua presença evocativa, as conquistas militares e políticas dos grandes oficiais e dos imperadores. Dentro desta arquitectura salientam-se duas tipologias: as colunas honoríficas e os arcos de triunfo, que eram ambos ricamente decorados com baixos e altos-relevos e estátuas ou esculturas alegóricas e/ou honoríficas. A sua colocação fazia-se, geralmente, a meio das vias importantes ou nas entradas e saídas dos fóruns, embora, por vezes, estivessem adossadas ás portas das muralhas das cidades, a pórticos e aquedutos.

 

Arco de triunfo de Septímio Severo

 

Arco de triunfo de Tito

 

 Arco de triunfo de Constantino

 

Coluna de Trajano

 

  

Publicado Por Cíntia Pontes às 19:32
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Sábado, 10 de Janeiro de 2009

ACONTECIMENTO - O incêndio de Roma

 

 

Deflagrou na noite de 18 de Julho de 64 d.C., no núcleo comercial da antiga cidade de Roma, á volta do Circo Máximo, um enorme e violento incêndio que lavrou durante cerca de sete dias. Nesse tempo governava o imperador Nero.

 

 

O incêndio devastou grande parte da cidade, principalmente os locais onde se encontravam localizados santuários, basílicas e templos que continham obras de arte, tesouros e documentos. As perdas humanas foram também elevadas.

Nero não se encontrava na cidade mas, após receber a noticia, regressou imediatamente a Roma e demonstrou uma enorme vontade em ajudar a população, ao abrir os seus jardins aos desalojados, mandando construir barracões para os abrigar, fazendo as cidades vizinhas fornecerem alimentos e equipamentos domésticos de socorro aos sinistrados.

No meio de toda esta grande confusão, muitos dizem ter visto escravos imperiais a atear o fogo e outros ainda afirmam ter visto o imperador, no alto da Torre de Mecenas, a assistir, vitorioso, ao incêndio. 

A indignação popular cresceu e o povo manifestou-se nas ruas contra Nero. Devido a isto, o imperador apressou-se a encontrar “responsáveis”, acusando os cristãos e iniciando um ciclo de perseguições e martírios, a que foram sujeitos até ao século IV a.C. Nelas morreram centenas de fiéis da nova religião, atirados ás feras nos circos; foi ele também que ordenou a execução dos Apóstolos São Pedro e São Paulo.

Logo a seguir ao incêndio, o imperador Nero mandou reconstruir o império segundo regras bem definidas e regulamentadas, construindo novas ruas, amplas e com traçados ordenados e abriu novos fóruns.  

 

Publicado Por Cíntia Pontes às 20:34
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Sábado, 3 de Janeiro de 2009

BIOGRAFIAS - O Romano Octávio (63-14 a.C.)

 


 

Caio Júlio Octaviano César nasceu a 63 a.C. e a sua vida pública de começou em 44 a.C. quando este tinha apenas 19 anos, após o assassinato de Júlio César, de quem era sobrinho-neto e herdeiro oficial.

Na altura era um jovem tímido, modesto, sem grande presença física, com uma saúde precária e sem gosto e jeito para a carreira militar. Pouco a pouco revela ter uma grande habilidade, competência e eficiência na política.

Com prudência e diplomacia, conseguiu os apoios que necessitava, afastou os seus inimigos e tornou-se de tal modo indispensável perante o Senado e o povo romano, que acabou por acumular poderes que fizeram dele a primeira figura do Estado romano. Em pouco tempo, Octávio, sempre dentro das ordens republicanas e respeitando o mos maiorum (leis antigas), conseguiu alcançar os maiores postos do cursus honorum (magistraturas):

- O imperium proconsulare, que lhe concedeu o supremo comando militar;

- O poder tribunício, no inicio temporário e depois vitalício, que lhe concedeu todos os poderes civis;

- Conseguiu do Senado os direitos de nominatio, commendatio e adlectio, que lhe deram o direito de seleccionar e controlar os senadores e os altos funcionários da administração pública;

- Recebeu o título de augustus e pontifex maximus, que lhe concedeu o direito de controlar também o poder religioso e moral.

Com as suas principais qualidades (virtude, clemência, justiça e piedade), tornou-se o primeiro imperador de Roma e geriu o seu Império “com mãos de ferro calçadas com luvas de veludo”.

Enquanto imperador de Roma, César Augusto, aumentou o império, consolidou as fronteiras, pacificou as províncias (imposição da pax romana), reformou o aparelho administrativo, reestruturou a sociedade em classes censitárias (que pagavam impostos), restabeleceu a religião tradicional, deu um grande desenvolvimento ás artes ao atrair á sua corte poetas, escritores e artistas, e iniciou uma época de paz e prosperidade.

Gabou-se ainda, quanto a Roma, de ter encontrado uma cidade de tijolo e a ter deixado de mármore.

Em 14 d.C., morre em Nola, deixando o poder a Tibério, visto que os que estavam na linha para o suceder morreram em circunstâncias estranhas.

O Senado homenageia-o declarando o seu período de vida como Saeculum Augustum (Século de Augusto) e dando início ao seu culto divino.

 
Publicado Por Cíntia Pontes às 23:38
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