Sábado, 20 de Setembro de 2008

A Arte da Antiguidade Clássica - Arte Grega

 

A arte grega liga-se à inteligência, pois os reis não eram deuses, mas sim seres inteligentes e justos que se dedicavam ao bem-estar do povo. Ao contemplar a Natureza, o artista entusiasma-se pela vida e tenta, através da arte, exprimir as suas ideias e, numa busca constante pela perfeição, cria uma arte de elaboração intelectual.
Aliou estética e ética, politica e religião, técnica e ciência, realismo e idealismo, beleza e funcionalidade. Esteve ao serviço da vida pública e religiosa.
A arte grega é antropocêntrica, pois os artistas preocupavam-se com o realismo e também procuravam exaltar a beleza humana, destacando a perfeição das suas formas. É ainda racionalista, pois reflecte nas obras de arte, as observações concretas dos elementos que envolvem o Homem.
O objectivo final da arte era a procura da unidade, beleza e harmonia universais suportadas por uma filosofia que buscava a relação do Homem com o divino, com o mundo e a sua origem, com a vida e a morte e também com a dimensão interior do próprio Homem (valores que hoje designamos por Classicismo);

 

 

 

ARQUITECTURA

 

- A arquitectura grega mostra-se como um dos aspectos mais importantes da civilização grega, dado que os seus colossais monumentos arquitectónicos provocam uma grande admiração perante os olhos daqueles que os observam e porque mostram o grande controlo que os gregos exerciam sobre si mesmos, revelado nas suas obras através da perfeição, do equilíbrio e da harmonia;

- Influências das culturas mesopotâmica, egípcia, cretense e micénica;

- Inicialmente a arquitectura grega utilizou materiais como a madeira, tendo sido substituída pela pedra calcária (sobretudo o mármore) a partir de finais do séc. VII a.C.;

- Dividiu-se em três períodos distintos:

» Período Arcaico (séc. VIII ao inicio do séc. V a.C.) - Caracteriza-se pela procura do inteligível, da ordem, do monumental e da maturidade;

» Período Clássico (segunda metade do séc. V ao séc. IV a.C.) - Período caracterizado pela procura do equilíbrio, da plenitude, do idealismo e do naturalismo/realismo. É considerado o século de ouro da arquitectura grega.

» Período Helenístico (séc. III a.C. ao inicio da Era Cristã) - Época de declínio, do gosto pelo concreto e pelo individual; mistura de culturas;

- Criaram normas e regras construtivas, cânones para a concretização artística, valores estéticos e modelos duradouros, nos quais todos os detalhes, os aspectos decorativos e/ou pormenores tinham de se sujeitar á harmonia e ao ritmo do conjunto. Definiram assim os princípios básicos da geometria plana e espacial e as primeiras noções de medida, proporção, composição e ritmo através dos quais qualquer organização plástica de deveria reger. Para isso, os arquitectos gregos elaboraram projectos nos quais constavam o estudo topográfico do terreno, a adaptação do edifício ao relevo e a escolha criteriosa da ordem, de acordo com o tipo de edifício. Depois elaboravam cálculos onde as medidas e as proporções eram rigorosamente estabelecidas. Criavam ainda maquetas, em madeira ou terracota, que eram submetidas posteriormente a aprovação final.

 

 

- O templo foi o edifício que despertou maior interesse entre os gregos e a expressão máxima da arquitectura grega;

- Era a morada e abrigo do Deus, local onde se colocava a sua imagem, á qual os fiéis não tinham acesso, pois os rituais eram realizados ao ar livre, ao redor do templo (Os fiéis apenas subiam ao templo para entregarem oferendas e realizarem sacrifícios). Também por esse motivo havia uma maior preocupação com a decoração exterior do que com a interior;

- A sua forma e estruturas básicas evoluíram a partir do mégaron micénico, que era formado por uma sala quadrangular, um vestíbulo ou pórtico suportado por duas colunas e com telhado de duas águas). Esta estrutura básica tornou-se, a pouco e pouco, mais complexa, de maiores dimensões e rodeada de colunas;

Templo de Ceres, Paestum

 

- Exteriormente era decorado com majestosas esculturas e pintado com azuis, vermelhos e dourados;

- Utilizava o sistema de construção trilítico definido por pilares verticais unidos por lintéis (arquitrave) horizontais;

 

Templo de Poseídon

 

 

- Possui uma aximetria axial, criando fachadas simétricas, duas a duas;

- Na sua estrutura planimétrica (planta) era constituído por três espaços: a pronaos (espécie de pórtico); a  naos ou cella (local onde se encontrava a estátua da divindade) e pelo opistódomos (câmara do tesouro onde eram guardados os bens preciosos da cidade, assim com as oferendas ao Deus). Esta estrutura tripartida era rodeada por um peristilo, uma espécie de corredor coberto e circundante, por onde circulavam os fiéis;

 

 

 

- Em alçado era formado por uma base ou envasamento (plataforma que servia para nivelamento do terreno), por colunas (sistema de elevação e suporte do tecto), pelo entablamento (elemento superior e de remate, constítuido pela arquitrave, pelo friso e pela cornija, encimada pelo frontão triangular). O tecto de duas águas era coberto por telhas em barro;

- As colunas e o entablamento eram construídos segundo estilos arquitectónicos ou ordens (processo de articulação métrica dos diversos elementos de um todo, em função da sua harmonia final. Essa articulação, a partir da base, da coluna e do friso, regula as dimensões do templo em números, características e relações mútuas):

» Ordem dórica - Nasceu na Grécia Continental por volta de em 600 a.C.; possui formas geométricas e a sua decoração é quase inexistente; não tem qualquer tipo de base, assenta directamente no estilóbato (último degrau, superior, onde assenta o edifício); apresenta um aspecto sóbrio, pesado e maciço, traduzindo assim a forma do homem; o fuste é robusto e com caneluras em aresta viva e capitel formado pelo ábaco e equino ou coxim, extremamente simples e geométrico, com forma de almofada. Simboliza a imponência e a solidez;

Colunas dóricas do Templo do Pártenon, Atenas

 

» Ordem jónica - Nasceu na Jónia no séc. VI a.C.; difere da ordem anterior nas proporções de todos os elementos e na decoração mais abundante da coluna e do entablamento e pela coluna assentar numa base; pelas suas dimensões e formas mais esbeltas, traduz a forma da mulher; possui um fuste mais longo e delgado, com caneluras semicilíndricas, sem arestas vivas, e em maior número que na ordem dórica; o capitel possuía um ábaco simples e o equino em forma de volutas enroladas em espiral;

Coluna do Templo do Erectéion, Atenas

 

 

» Ordem coríntia - Apenas apareceu no final do séc. V a.C. e é uma derivação da ordem jónica, resultado do seu enriquecimento decorativo; possuía um capitel com forma de sino invertido, decorado com folhas de acanto, coroadas por volutas jónicas; a sua base era mais trabalhada e o fuste mais adelgado; simboliza a ambição, a riqueza, o poder, o luxo e a ostentação;

Colunas coríntias do Templo de Zeus Olímpico, Atenas

 

 

 

Estrutura da ordem dórica e jónica, respectivamente

 

 

 - Em alguns templos, a função icónica das colunas adquire antropomorfismo num dos pórticos, através da sua substituição por estátuas de figuras femininas - cariátides - ou masculinas - atlantes;

Pórtico das cariátides no Templo do Erectéion, Atenas

 

 

 - Em todas as suas construções, os arquitectos gregos procuraram uma ilusória sensação de simplicidade, o que não é inteiramente verdade, pois verificaram-se em templos dóricos determinadas deformações ópticas que foram corrigidas matemáticamente (correcções ópticas): os elementos horizontais do templo que, visualmente, são lidos de forma côncava, são ligeiramente encurvados para cima e para fora; os elementos verticais inclinados para dentro e para cima segundo um ponto de fuga; toda a colunata é construída ligeiramente inclinada para dentro do templo, pois a tendência de leitura era ver o edifício curvado para fora; a distância entre as colunas, exactamente iguais quando medidas, aparecem ligeiramente distorcidas ao olho humano; o fuste das colunas era ligeiramente engrossado no primeiro terço da sua altura (êntase) e o intercolúneo era maior entre as colunas das pontas do que nas do meio;

 

        Templo de Hefesto

 

 

Publicado Por Cíntia Pontes às 23:26
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Sexta-feira, 5 de Setembro de 2008

ACONTECIMENTO - A Batalha de Salamina (480 a.C.)

 

 

Após a morte de Dario, rei dos Persas, em 486 a.C., sucedeu-lhe Xerxes, seu filho, que com uma atitude imperialista pretendia continuar com o plano de conquistar as cidades da Ásia Menor e da Grécia continental.

Com o objectivo de conquistar a Grécia, Xerxes preparou um vasto exército com uma infantaria bem equipada e com 1207 barcos, em que a sua tripulação reunia persas, assírios, árabes, egípcios, lídios e indianos.

Entretanto formou-se a Liga de Delos constituída por várias cidades gregas como Atenas, Esparta e Egina que se uniram e preparam para oferecer resistência.

O exército de Xerxes, saindo da Pérsia, atingiu a margem do continente vizinho, passou o Estreito de Helesponto (antigo nome do estreito de Dardanelos na Turquia) e preparou-se para a conquista. Na passagem por Termópilas derrota os Espartanos e ao chegar á Península da Ática derrota também os atenienses e destrói grande parte da cidade de Atenas. Alguns atenienses conseguem fugir para a ilha de Salamina (Costa Ocidental da Ática, Golfo da Egina), onde se refugiam.

Temístocles (comandante chefe da frota ateniense), com grande astúcia, consegue atrair o exército de Xerxes para a zona de Salamina, pois pensava que aí seria fácil derrotá-los.

Xerxes e a sua armada entram no Golfo de Salamina, no dia 29 de Setembro de 480 a.C., onde os esperam cerca de 300 barcos gregos (trirremes), leves, ágeis e velozes, que os cercaram, deixando-os sem espaço para manobras.

Os gregos, apesar da diferença numérica em relação aos persas e do grande poder bélico deste povo, conseguiram vencê-los com inteligência, estratégia, coragem e velocidade.

Esta vitória e o fim das Guerras Persas garantiram á Grécia a sua independência em relação aos persas.

Atenas é considerada a salvadora da Grécia e assume a liderança e a hegemonia ao criar a Liga de Delos (478 a.C.).

A cidade foi reconstruída e assegurou a sua protecção com a construção de muralhas á volta do Porto do Pireu. No entanto, não conseguiu criar uma união pan-helénica e a rivalidade entre Esparta e Atenas revela ser a causa do fim da Grécia.

 

Trirreme grega

 

 

Publicado Por Cíntia Pontes às 20:23
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Terça-feira, 2 de Setembro de 2008

BIOGRAFIAS - O grego Péricles

 

 

Péricles (c. 495/492-429 a.C.) nasceu no seio de uma família rica, da alta sociedade.

Participou na vida política de Atenas como estratega e entre 460-429 a.C. como strategos autokrator, isto é, o general eleito anualmente pelo povo, por unanimidade que, juntamente com nove eleitos, governava a cidade.

Era um homem honesto, competente na gestão dos bens públicos e segundo Tucídides, um defensor do diálogo e não um incentivador á violência. Dominou Atenas pela inteligência, pela palavra e pela brilhante actuação (embora tivesse sido alvo de grandes críticas).

Apelando e lutando pela rectidão, pela justiça, pelo diálogo, pela liberdade e pela verdade, Péricles contrastava com uma sociedade que se começou a revelar quezilenta, invejosa e individualista.

Proporcionou a Atenas o seu apogeu económico, cultural e artístico, correspondendo a uma época que com ele desapareceu, pois mais nenhum dos políticos que se seguiram conseguiu fazer algo parecido pela cidade.

Durante o seu governo, os seus objectivos foram aumentar a representação do povo na governação e consolidar a democracia. Preocupou-se ainda em impor e vigiar a correcta e efectiva as leis democráticas, já decretadas.

Péricles consolidou o regime de democracia directa, plebiscitária, onde o governo está submetido ao princípio da soberania popular e á vontade da maioria - "Um governo para o povo e pelo povo".

A reconstrução da sua cidade, feita com perfeição técnica e domínio estético num curto espaço de tempo, foi também outra das suas armas políticas. Foi ele quem instituiu o misthos ou mistoforia, um subsídio diário diversificado, que mudava conforme as funções e era atribuído a todos que servissem Atenas (visava ajudar os mais pobres para que pudessem participar na vida política).

Em 431 a.C surgiu a guerra com Esparta e Péricles faleceu pouco tempo depois, vítima da peste que assolou a cidade durante a guerra.

 

 
Publicado Por Cíntia Pontes às 15:33
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