Sábado, 30 de Agosto de 2008

A Arte da Antiguidade Clássica - Arte Grega (Contexto político-social)

 

A Antiguidade Clássica é período da História que compreende a origem e o desenvolvimento das civilizações grega e romana. Vai do 1º Milénio a.C. a 476 d.C. (queda do Império Romano do Ocidente).

 

 

" A lição da Grécia (é uma) lição de modéstia e de lucidez, que coloca o Homem no seu lugar: capaz de compreender, mas também de ignorar; amante da vida, mas consciente de que ela é precária; capaz de usar a sua inteligência com prazer, sem esquecer que o futura pertence aos Deuses - deuses concebidos á sua imagem e graças aos quais a medida humana, na sua forma ideal, fornece a referência suprema ao universo. (...) Este Grego sabe que nada se consegue sem luta. Mas, consciente da sua fraqueza, não despreza o adversário. (...)

Para definir o pensamento grego emprega-se o termo humanismo (...); o Homem é um ponto de partida e uma medida necessária, e não um limite ou um fim. "

 

François Chamoux, A Civilização Grega, Edições 70

 

 

 

 

O contexto político-social da Arte Grega

 

- No séc. V a.C., a Atenas democrática de Péricles representa o culminar de um tempo histórico e artístico da Grécia ou Hélade, a primeira civilização da Antiguidade Clássica;

- Após as Guerras Persas (em 499 a.C., os Persas, procurando uma saída para o mar, atacaram a Grécia começando pelas cidades gregas da Ásia Menor. Assim começou uma longa guerra que só terminou em 449 a.C., com a derrota dos Persas, o que deu uma evidente supremacia aos atenienses), em 449 a.C., Atenas viveu um tempo de paz, de ócio e de liberdade, o que contribuiu para um grande florescimento que, conjugado com a intervenção de homens dotados, fizeram de AtenasEscola da Grécia. Entre esses homens sobressaiu Péricles, que deu o nome ao século pela sua acção e eloquência como homem do Estado e como mentor de um projecto artístico-cultural e cívico;

- Para os atenienses, a sua cidade era o espaço físico da pólis (agregação de homens livres), a comunidade dos cidadãos. Como forma de organização politica adoptaram o regime de cidade-estado, cujo governo evoluiu da monarquia á democracia. Deste modo, o espaço urbano de Atenas era composto por uma fortaleza no ponto mais alto, a acrópole (cidadela militar, onde estão instalados os locais para o culto religioso e cívico), por uma zona labiríntica na parte baixa, que inclui a ágora (praça pública - centro da vida da pólis, com espaços para reuniões políticas, manifestações desportivas e artísticas, comércio, assembleias, teatros, estádios, mercados, feiras), pelos campos envolventes e pelo porto do Pireu (porta aberta para o mar, importante para as trocas comerciais e desta forma, para o desenvolvimento do comércio);

- Com uma população de aproximadamente 350 000 habitantes (Cidadãos – Naturais de Atenas, filhos de pai e mãe atenienses. Apenas estes tinham direito a exercer função politica e administrativa; Metecos – Estrangeiros que tinham autorização para residir em Atenas e pela qual pagavam um imposto especial. Eram homens livres, geralmente comerciantes ou artesãos, mas sem direitos políticos – sendo o resto mulheres e escravos), Atenas viveu uma confortável situação económica e social: como o solo era pobre e montanhoso, os atenienses estabeleceram trocas comerciais com a Magna Grécia, a Grécia asiática e insular; desenvolveram os ofícios e as indústrias localizados em quarteirões e bairros; lotearam terras fora da Ática para a fixação de colonos e exploração de produtos agrícolas;

- A situação politica também era estável: estava consolidada a democracia devido ao contributo de legisladores como Sólon, o reformador (garantiu uma igual justiça para todos e repartiu os cargos públicos pelas diferentes classes sociais), Pisístrato, o tirano (assegurou a prosperidade económica e cultural de Atenas) e Clístenes, o fundador da democracia. Esta democracia era imperfeita pois só os cidadãos homens tinham direitos políticos e administrativos e o direito ao voto; porque não havia liberdade de expressão (o filósofo grego Sócrates foi condenado á morte pois pôs em causa a existência dos Deuses, sendo acusado de, através das suas ideias, corromper as ideias da juventude) e porque existia a lei do ostracismo (expulsar da cidade os cidadãos que não concordassem com o sistema);

- Em Atenas celebravam-se ao ar livre cerca de 60 festas religiosas e culturais por ano, pois a religião, que estava ao cargo do Estado, cumpria-se também deste modo. Multidões de atenienses e forasteiros participavam nestes programas como forma de consciencialização e demonstração da sua grandeza e dos seus valores, para o mundo grego e para os povos vizinhos; os gregos adoravam vários Deuses (politeísmo) que foram criados á imagem e semelhança dos Homens (antropomorfismo) e possuíam também sentimentos, defeitos e vícios. Distinguiam-se dos seres humanos pela imortalidade (que conseguiram por terem praticado feitos sobre-humanos) e pela superlativização das qualidades humanas – sempre belos, jovens e inteligentes. Para que a intervenção dos Deuses fosse benéfica era praticado o culto divino. Eram organizadas festas, sacrifícios, oferendas, procissões (por exemplo, as Panateneias de Atenas e as Grandes Dionísias) e jogos. Os gregos não aceitavam dogmas, não tinham “bíblias”, não seguiam magias e não tinham o conceito de pecado, apenas acreditavam em mistérios (doutrinas que só eram comunicadas aos iniciados). Cada pólis tinha os seus cultos privados e a sua organização ficava a cargo dos cidadãos;

- Como resultado de todo este clima próspero, a cultura e a arte floresceram: dado que a cidade tinha sido destruída pelos Persas durante as guerras, fizeram-se grandes trabalhos públicos de restauro e construção (muralha, templos, fontes e edifícios municipais) que ocupavam homens sem trabalho, uma mão-de-obra especializada, uma classe média numerosa e escravos.

Esta oportunidade e liberdade de criar e produzir, a abastança de fundos, vindos do tesouro da Liga de Delos (associação das cidades-estado da Ásia Menor, das ilhas e da Grécia continental dirigida por Atenas, com fins defensivos. Cada cidade pagava tributos que estavam reunidos num tesouro, na ilha de Delos. Mais tarde Péricles mudou o tesouro para Atenas, serviu-se dele para a reconstrução da sua cidade e impôs o seu poder militar e político ás outras cidades, de uma forma imperialista) e a genialidade singular de Péricles atraíram a Atenas muitos artistas talentosos, filósofos e intelectuais que contribuíram para um notável desenvolvimento. Reunindo influências de diversas tradições (povos da Mesopotâmia, do Egipto, de Creta e de Micenas), criaram uma síntese cultural original que deu aos atenienses a possibilidade de aprender, de pensar e de viver de um modo actuante e crítico.

- No entanto esta prosperidade foi efémera. As criticas á democracia e ao próprio governo de Péricles impuseram-se; a ambição de Esparta e da sua liga do Peloponeso (associação das cidades do Peloponeso, dirigida por Esparta, em oposição á Liga de Delos. Pretendiam destronar Atenas e ocupar a sua posição hegemónica) fizeram eclodir a Guerra do Peloponeso (envolveu as cidades das duas Ligas entre 431-404 a.C. e levou á destruição da cidade de Atenas e á sua sujeição á oligarquia de Esparta e ás suas regras); a peste apareceu na Ática. Matou cerca de um terço da população inclusive Péricles e arruinou o comércio, o trabalho nos campos e a indústria. Surgiu assim um tempo de dúvidas e convulsões, que deitaram por terra o tempo de confiança, liberdade e prosperidade que os atenienses tinham vivido até então.

- Em 338 a.C., Atenas é conquistada por Filipe II, rei da Macedónia, e depois pelos Romanos; apesar disso manteve-se um importante centro filosófico, científico e artístico.

 

A acrópole de Atenas

 

Publicado Por Cíntia Pontes às 21:10
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Segunda-feira, 25 de Agosto de 2008

A Arte da Antiguidade - Arte Etrusca

 

 

A arte etrusca refere-se à arte da antiga civilização da Etrúria localizada na Itália central (actual Toscana) e que teve o seu apogeu artístico entre os séculos VIII e II a.C.

As origens deste povo, e consequentemente do estilo, remontam aos povos que habitavam a região (ou a partir dela se deslocaram) da Ásia Menor durante a Idade do Bronze e a Idade do Ferro , mas também de outras culturas influenciaram a sua arte (por proximidade ou contacto comercial), como a assíria, egípcia, fenícia, grega e a oriental. Mas o seu aparente carácter helenístico simples (visto que o  seu florescimento coincide com o período arcaico grego) esconde um estilo único e inovador de características muito próprias que viria a influenciar profundamente a arte grega e romana.

 

- Os artistas etruscos eram artesãos de grande habilidade. Executaram objectos (esculturas, peças em cerâmica, espelhos, caixas, etc) de grande qualidade e maestria utilizando materiais como a terracota, a pedra, o barro, o bronze e outros metais;

         

         Estátua em bronze

 

   

Esculturas em terracota

 

Escultura em pedra

 

Relevos em bronze

 

Relevos em pedra

 

Espelho em bronze

 

 Jarro em barro

 

 

 Cerâmica etrusca

 

 

- Conceberam também peças de joalharia em ouro, prata e marfim e um tipo de cerâmica negra denominada Bucchero.

 

  

  

 

 

ARQUITECTURA

 

Para além de uma grande variedade de artes decorativas, os etruscos desenvolveram construções arquitectónicas tais como templos religiosos que se assemelhavam aos templos gregos mais simples, mas sem a típica elegância dos mesmos e com algumas diferenças: eram templos de pequenas dimensões, com planta rectangular e sem peristilo; possuiam base em pedra, estrutura em madeira e revestimento em barro na arquitrave e beirais; pelo lado Sul e subindo os degraus do podium, tinha-se acesso a um pórtico com duas filas de quatro colunas; construiram também palácios, edifícios públicos, aquedutos, pontes, esgotos, muralhas defensivas e desenvolveram projectos de urbanismo onde a cidade se articulava a partir de um centro que resultava da intersecção das duas vias principais (cardo, sentido Norte-Sul e decumanos, sentido Este-Oeste). Utilizaram o arco de volta-perfeita, a abóbada de canhão e a cúpula.


    

Utilização do arco de volta-perfeita numa construção etrusca

 

 

 

ARTE FUNERÁRIA

 

Em escavações feitas em túmulos subterrâneos encontraram-se urnas de barro (onde se colocavam os restos mortais) com elementos escultóricos que representavam elementos anatómicos do falecido (por exemplo, tampas em forma de cabeça); bustos (invenção etrusca); esculturas e relevos em sarcófagos onde, numa fase posterior, as figuras humanas, em tamanho real, surgem reclinadas sobre a tampa como se de um leito se tratasse (estátuas jacentes). Embora a estatuária etrusca apresente uma nítida influência grega, no caso das estátuas jacentes, os etruscos não usaram a pedra, mas sim materiais mais brandos que possibilitaram uma modelação mais elástica, fluida e arredondada, dando ás figuras uma natural espontaneidade e naturalismo.

 


Busto em bronze

 

Urnas etruscas

 

As câmaras funerárias, que retratam o interior de uma habitação, possuem tecto em abóbada ou falsa cúpula e são revestidas de pinturas murais a fresco, que retratam cenas mitológicas, do quotidiano e rituais funerários, com carácter bi-dimensional, estilizado (formas delineadas a negro) e com cores vivas e atmosfera jovial. Numa fase posterior, esta atitude de festividade perante a morte sofre alterações, possivelmente pela influência da arte grega do período clássico - as figuras passam a ter uma atitude pensativa e de incerteza perante o final da vida e as pinturas tornam-se mais sombrias e mórbidas, encendo-se de demónios e monstros que acompanham os mortos para o mundo subterrâneo.

Praticam ainda pinturas a fresco com temas narrativos e anedóticos. As cores mais usadas foram o vermelho, verde e o azul pois possuiam conotações religiosas.

 

 

Publicado Por Cíntia Pontes às 00:12
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Quarta-feira, 20 de Agosto de 2008

A Arte da Antiguidade - Arte Fenícia

 

A arte fenícia refere-se à expressão artística dos Fenícios, um povo semita do Mundo Antigo. A sua origem é desconhecida, mas sabe-se que se estabeleceram na Fenícia (região mediterrânea correspondente ao Líbano, Síria e Israel) por volta de 3000 a.C.

Os Fenícios eram altamente civilizados (inventaram um sistema de escrita anterior ao alfabeto moderno) e eram hábeis comerciantes marítimos. Atingiram o auge do poderio entre 1200 e 800 a.C. Foram conquistados pelos Persas no séc. VI a.C. 

 

- A constante presença de potências estrangeiras na vida cultural dos fenícios e a preocupação com os negócios, foram provavelmente as causas da sua pouca originalidade nas criações artísticas: as sepulturas fenícias, por exemplo, eram decoradas com motivos egípcios ou mesopotâmicos;

- Apesar de serem mais habilidosos que criativos foram encontradas pequenas tábuas de argila contendo documentos administrativos, cânticos religiosos, hinos e textos mitológicos que trouxeram maiores informações sobre as crenças religiosas desse povo;

- Os fenícios erguiam altares nas partes mais altas de suas cidades para sacrificar pequenos animais que serviam de oferenda aos seus deuses, que representavam fenómenos da Natureza;

- Influências da arte egípcia, mesopotâmica, egeia (principalmente micénica) e grega;

 

 

 

ARQUITECTURA

 

- Templos com grandes pátios e altar principal; são comuns elementos decorativos como colunas, estátuas e estelas;

- Devido ao pouco espaço territorial, os fenícios obras que se pautam pela verticalidade;

- As cidades fenícias são cercadas por muralhas; os bairros possuem casas com vários pavimentos, uma zona portuária, templos e o palácio do príncipe local.

Ruínas de Cartago

 

Colunas das ruínas de Cartago

 

Ruínas de um templo

 

 

ESCULTURA

 

- Representação de divindades e outras figuras em pedra, marfim e terracota, assim como vasos;

        

  

 

 

- Estelas funerárias, pequenos altares e sarcófagos;

  

  

   

 

 

- Os fenícios viajam muito devido á prática do comércio e por isso a sua arte é muito influenciada pela cultura de outros povos. Um bom exemplo é a arte funerária. Usaram túmulos precedidos de um corredor, de típica influência micénica; alguns foram decorados com motivos egípcios e outros ainda, assemelham-se a templos gregos;

- Os trabalhos em marfim (pentes, estojos, estatuetas, etc) e em metal (cobre, ouro, prata e bronze - objectos santuários, jóias de alto valor, moedas, etc) constituem uma das actividades artesanais mais apreciadas pelos fenícios, assim como o mobiliário doméstico; estes objectos eram decorados com cenas do quotidiano e motivos animais; eram representações bastante naturalistas e realistas.

  

 

 

 

 

PINTURA

 

- Acompanha a escultura pois os pintores trabalhavam as obras de arte esculpidas.

  

 
Publicado Por Cíntia Pontes às 18:54
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Quarta-feira, 13 de Agosto de 2008

A Arte da Antiguidade - Arte Egeia (Continuação)

 

ARTE MICÉNICA

 
- Caracterizou-se principalmente pelo desenvolvimento da arquitectura, tendo como modelo o megaron micénico (sala central do palácio de Micenas); contrariamente à arquitectura minóica, a micénica possui um forte sentido militar onde se observam fortalezas rodeadas de muralhas edificadas em pedra com grande precisão. O palácio divide-se em três áreas simples: um pórtico com duas colunas leva à antecâmara que antecede a grande sala de audiências, rectangular e com quatro colunas a envolver uma lareira central circular; ao redor dos palácios, no interior da cidadela, e também do lado de fora, junto às muralhas, haviam várias casas de planta retangular e diversos cômodos, um deles habitualmente com lareira. As paredes eram de tijolo seco ao Sol, barro comprimido reforçado com cascalho, vigas de madeira, ou uma combinação disso; as fundações eram de pedra, ou de simples cascalho misturado com barro. O telhado era provavelmente plano, composto de uma estrutura de madeira recoberta de reboco ou terra - casas dos cidadãos mais ricos e influentes da sociedade micénica; os mais pobres viviam em cabanas de um ou dois cômodos situadas fora das muralhas. As paredes eram de tijolos secos ao sol ou de madeira, o chão era de terra batida e o telhado, plano, era em geral recoberto de palha;

 

Fundações de uma casa particular localizada do lado de fora das muralhas da cidadela de Micenas

 

Reconstituição da acrópole de Micenas

 

Galeria da muralha de Tirinto

 

 

- Desenvolveu-se ainda o artesanato em cerâmica, decorados com cenas do quotidiano e motivos florais e animais;

 

 

                                                 Cabeça de touro          

 

 

                                   

        

 

  

Vaso decorado com cena de funeral e prossição

 

 

 

  

 

 

- Apesar da forte influência cretense, a arte micénica desenvolveu elementos peculiares, distanciando-se das influências orientais; do Antigo Egipto receberam  influências relacionadas com o culto dos mortos, nomeadamente no que diz respeito à construção de câmaras funerárias em pedra;

- A escultura  foi uma modalidade pouco praticada. Destacam-se os relevos tumulares, cujos temas eram cenas de caça e guerra, com as populares espirais interligadas; as esculturas em pequena escala, em terracota pintada, como as "deusas do lar" - phi e psi (figuras femininas de pé, em diversas atitudes, e com grande estilização) e as "deusas domésticas" (estatuetas femininas pintadas, de base cilíndrica, traços estilizados e braços levantados, e pequenas figuras de animais com desenhos pintados) e ainda as esculturas em grande escala associadas á arquitectura (como a Porta dos Leões, em Micenas, onde se vêm dois leões virados para uma coluna micénica, inseridos na muralha defensiva. Neste exemplo são notórias as semelhanças com a tradição da escultura mesopotâmica, pela imponência e severidade formal);

 

  

Porta dos Leões

 

Relevo tumular

 

Pequena escultura em marfim de uma pyxis (caixa de cosméticos)

 

    

Estatuetas em terracota e marfim, respectivamente

 

- Primorosos trabalhos em metal e outros materiais e a joalharia, que receberam grande influência da arte minóica, no tratamento formal e na técnica (se é que não terão mesmo sido produzidos por artesãos vindos de Creta); destacam-se os punhais com incrustações, ornamentos para indumentária, diademas, broches, alfinetes, colares e as famosas máscaras funerárias em ouro, que serviam para cobrir o rosto do falecido;

Jóias do Tesouro de Egina

 

Máscara funerária de Agamémnon, ouro

 

Anel em sinete de ouro, com cena de caça

 

Diadema em ouro

 

Pormenor de uma arma micénica, bronze e incrustações em ouro, prata e niello

 

Taça em ouro

 

Vaso de cristal de rocha em forma de pato

 

- A pintura micénica teve como principais temas a representação da vida animal (como golfinhos, pássaros, cobras, touros e principalmente felinos, como o leopardo e o leão e ainda animais heráldicos, como grifos) onde é regra aparecerem com as patas dianteiras e traseiras esticadas, símbolo de movimento; cenas de caça, guerra, da vida quotidiana e procissões rituais.

 

Reconstituição do Megaron do Palácio de Nestor, pinturas a fresco que representam leões e grifos

 

É comum também apareceram elementos da flora marítima e a espiral, elemento decorativo muito usado, até na arquitectura; a tipologia mais usada na pintura, pela civilização micénica foi a pintura mural a fresco, cujos temas eram cenas do quotidiano e descrições do mundo natural; obras plenas de naturalismo, vivacidade e movimento. A arte micénica, em comparação com a dos minóicos, era solene.

 

  

 

Publicado Por Cíntia Pontes às 21:20
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Sábado, 9 de Agosto de 2008

A Arte da Antiguidade - Arte Egeia

 

A Arte Egeia ou Arte do Mar Egeu está associada às civilizações que floresceram no mar Egeu antes do aparecimento dos Gregos por volta de 3000 a.C. e que foram principalmente três:

 

Civilização Cicládica -  Civilização do começo da Idade do Bronze, nas Ilhas Cíclades, que durou aproximadamente de 3000 a 2000 a.C;

Civilização Minóica ou Cretense - Civilização que se desenvolveu na Ilha de Creta entre 2700 e 1450 a.C. (O termo "minóico" deriva de "Minos", título dado ao Rei de Creta);

Civilização Micénica - Refere-se à cultura dos aqueus, um povo que se estabeleceu na costa sudoeste da Grécia aproximadamente entre 1600 e 1100 a.C., no período final da Idade do Bronze, e que conquistou a ilha de Creta por volta de 1450 a.C.

 

 

ARTE CICLÁDICA

 

- Cerâmica decorada com formas lineares, espirais e curvilíneas;

 

 

- Ídolos esculpidos em mármore que vão de poucos centímetros ao tamanho natural, com características abstratas: a cabeça é um ovóide e o único relevo é o nariz; 

- Pequenas figuras de homens tocando lira ou flauta e mulheres segurando crianças;

- Simplicidade, austeridade, singeleza, contenção das expressões religiosas, ausência de ornamentos, formas minimalistas.

 

             

              

 

   

 

 


ARTE MINÓICA

 

- Na arquitectura foram usados materiais como o tijolo, a pedra e o barro. Destacou-se a construção de palácios, símbolo da vida política, religiosa e cultural da civilização minóica, que apresentavam estruturas complexas: eram compostos por um amplo pátio interno central, várias escadarias, pequenos jardins e recintos reservados para cultos religiosos. A esses mesmos estavam associadas casas (retangulares, externamente amplas, com o interior dividido em muitos cômodos pequenos), lojas, banhos, oficinas e armazéns;

 


Sala do Trono

 

Uma das salas do palácio

 

 

Palácio de Cnossos (ou Minos)

 

Palácio minóico

 

- As paredes dos palácios eram decoradas com magníficas pinturas a fresco que representavam animais selvagens e domésticos (principalmente o touro), figuras humanas em cenas como festas, casamentos e colheitas e ainda figuras geométricas, plenas de cores vivas e garridas; as pinturas apresentavam um certo grau de estilização egípcia que se evidencia no modo como se repetem esquematicamente as figuras humanas, mas a representação minóica destaca-se pelo naturalismo, realismo, elasticidade, paixão pelo ritmo, pelas ondas e pela flutuação, bastante ausentes na arte egípcia; figuras leves, espontâneas, delicadas e plenas de vitalidade;

 

Frescos do Palácio de Cnossos

 


A Expedição Naval

 

  

                            Os Antílopes                                           O Pescador

 

 

- A cerâmica, algumas vezes apenas um pouco mais espessa do que a casca de um ovo, destacou-se pela diversidade de formas e funções, progredindo em termos de variedade, refinamento e acabamento. Era decorada com pinturas que apresentavam formas geométricas simples, como triângulos, zigue-zagues e padrões simétricos abstratos. Algumas obras possuíam pequenas imagens do quotidiano, como motivos florais e animais domésticos;

 

     

   

 

 

 

 

- Os trabalhos em metal, o entalhe em pedras preciosas, os selos de pedras e a joalharia também tiveram um papel importante na civilização minóica.

 

Deusa da Serpente (trabalho em metal)

 

Peças de joalharia (detalhes de braceletes)

 

  

 

Publicado Por Cíntia Pontes às 17:02
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Domingo, 3 de Agosto de 2008

A Arte da Antiguidade - Arte Germânica

 

A Arte Germânica ou dos povos germânicos, também conhecida como arte bárbara, refere-se à arte dos povos conhecidos genericamente como bárbaros (mongóis, vândalos, visigodos, alanos, francos, anglo-saxões, suevos, entre outros) que, depois da queda do Império Romano, avançaram definitivamente sobre a Europa. Todos estes povos tiveram uma origem comum na civilização celta e tal como a arte celta também a germânica se manteve até á Idade Média.

A arte germânica, devido á sua originalidade, lançou as bases da arte europeia dos sécs. VIII e IX.

 

- Os bárbaros, como povos nómadas, desenvolveram uma grande destreza no fabrico de objectos facilmente transportáveis, fossem eles de luxo ou utilitários. Deste modo destacam-se na ourivesaria, na fundição e moldagem de metais, tanto para o fabrico de armas como de jóias (braceletes, colares, anéis, etc), e nas técnicas de decoração correspondentes, como a tauxia ou damasquinagem, a entalhadura (arte de cortar ou entalhar a madeira) e a filigrana (trabalho ornamental feito de fios muito finos e pequeninas bolas de metal soldadas de forma a compor um desenho); os desenhos decorativos destas peças baseavam-se em animais estilizados e em motivos geométricos, principalmente, a roda e a cruz. Não se dedicaram ao desenho da figura humana;

 

 

Ourivesaria Germânica

 

Objectos em bronze

 

   

              Cruz visigótica                                      Cálice em ouro

 

Cálice de Ardagh

 

   

Coroas votivas

 

- Quase totalmente desprovidos de arquitectura, os bárbaros apropriaram-se das formas da Antiguidade tardia e da arte Bizantina, às quais acrescentaram alguns elementos próprios.  Os francos (França) usaram nas suas construções salas retangulares de três naves e absidesemisircular, com silharia de madeira para as igrejas, e cúpula para os batistérios; os ostrogodos (Itália) ergueram edifícios mais representativos e ricamente decorados com pinturas a fresco e mosaicos, nos quais combinaram as formas bizantinas com as romanas; os visigodos (Península Ibérica) procederam à recuperação de edifícios romanos nos centros de cada cidade, aos quais juntavam uma igreja cristã, geralmente de planta em forma de cruz latina, com naves de alturas diferentes e decoradas com relevos e frisos;

 



Interiores e exteriores da Igreja de Santa Comba de Bande

 

 

Interiores e exteriores da Igreja de San Pedro de la Nave

 

 

- A escultura em pedra foi destinada à decoração de igrejas e batistérios, na forma de relevos planos, capitéis e sarcófagos, seguindo o estilo do Império Romano. A entalhadura do marfim também foi muito usada e continuou-se com a tradição dos dípticos consulares de influência bizantina, cujas formas foram adoptadas na confecção de capas de livros evangélicos e Bíblias;

 

Dama de Elche

 

- Desenvolveram ainda a pintura de livros e manuscritos - iluminuras (de carácter ornamental, geometrização e elementos zoomórficos) - e a tapeçaria.

 

Uma das ilustrações do Evangelho de Lindisfarne

 

Uma página do livro de Kells

 

Manuscritos

Publicado Por Cíntia Pontes às 19:55
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