Sábado, 28 de Junho de 2008

A Arte da Antiguidade - Arte Egípcia (Continuação)

 


 

MÉDIO IMPÉRIO

 

Após o período de decadência do poder central e de instabilidade política do Primeiro Período Intermediário (e que se reflectiu na arte com o abandono dos cânones estabelecidos) inicia-se o Império Médio ( 2134 - 1782 a.C.) que corresponde à XI e XII dinastias.

 

- Mentuhotep II foi o primeiro Faraó do novo Egipto unficado do Médio Império. Criou um novo tipo de monumento arquitectónico funerário, com influências da arte do Antigo Império.

Mandou construir na região de Tebas Ocidental, o seu complexo funerário, como um templo no vale ligado por um longo caminho real a outro templo que se encontrava instalado na encosta da montanha. Formado por uma mastaba coroada por uma pirâmide e rodeado de pórticos em dois níveis, os muros foram decorados com relevos que representavam o Faraó na companhia dos Deuses.

- Na escultura, a expressão humana ganha uma maior dimensão, passando-se a representar nas estátuas reais o envelhecimento;

 

- A representação bidimensional perde a sua dependência dos cânones adoptando uma maior naturalidade e até noções de profundidade tridimensional. Nesta época criam-se esfinges reais nas quais o rosto do monarca surge emoldurado por uma juba.

- A pintura egípcia do Médio Império manifestou-se em túmulos de governadores nomos, onde recriou cenas de caça, pesca, banquetes ou danças. Seguindo a tradição do Antigo Império, o dono do túmulo surge representado em tamanho superior às outras personagens. A pintura é realizada sobre estuque e relevo. 

Como em todos os outros períodos foi essencialmente simbólica e seguiu rígidos padrões de representação, como a lei da frontalidade (os olhos, ombros e peito representam-se vistos de frente; a cabeça e as pernas representam-se vistos de lado); as áreas espaciais são bem definidas e o tamanho e posição  das figuras no espaço são estipuladas segundo regras hierárquicas; os traços são estilizados e rígidos, as formas bidimensionais (ausência de volume) e a cor é aplicada plana (sem modelado) e em manchas uniformes.

 

 

- As artes decorativas conhecem uma das épocas mais importantes, sobretudo no que diz respeito aos trabalhos de joalharia, que usavam metais preciososo e incrustações de pedras coloridas. Os amuletos, os pentes, os espelhos, as caixas e as candeiais caracterizam-se pela sua beleza. São bastante conhecidos os pequenos hipopótamos em faiança decorados com motivos vegetais. Neste período aparece a técnica do granulado e o barro vidrado alcançou grande importância na elaboração de amuletos e pequenas figuras.

 

 

SEGUNDO PERÍODO INTERMEDIÁRIO

- 1782 - 1570 a.C.;

- Este é mais um período escuro e de inseguridade do qual pouco se sabe e no qual se desenvolveu a matemática, a medicina e a cópia de papiros de épocas anteriores.

 

Publicado Por Cíntia Pontes às 21:59
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Segunda-feira, 23 de Junho de 2008

A Arte da Antiguidade - Arte Egípcia

 


A arte Egípcia refere-se a toda a arte desenvolvida e aplicada pela civilização do Antigo Egipto, localizada no Vale do Rio Nilo, no Norte de África. Esta manifestação artística teve a sua supremacia na região durante um longo período de tempo, estendendo-se aproximadamente pelos últimos 3000 anos antes de Cristo e demarcando diferentes épocas que auxiliam na clarificação das diferentes variedades estilísticas adoptadas: Período Arcaico ou Tinita, Antigo Império, Médio Império, Novo Império e Época Baixa e vários períodos intermédios, mais ou menos curtos, que separam as grandes épocas, e que se pautam pela turbulência e obscuridade, tanto social e política como artística. Apesar destes diferentes momentos da história, a verdade é que incutem somente pequenas nuances na manifestação artística que, de um modo geral, segue sempre uma vincada continuidade e homogeneidade.

 

- Serviu principalmente objectivos políticos e religiosos;

- Representa, exalta e homenageia constantemente o faraó (soberano absoluto, representante de Deus na Terra) e as diversas divindades da mitologia egípcia, sendo aplicada principalmente a peças ou espaços relacionados com o culto dos mortos, isto porque a transição da vida à morte é vista, antecipada e preparada como um momento de passagem da vida terrena à vida após a morte, à vida eterna e suprema. O faraó é imortal e todos seus familiares e altos representantes da sociedade têm o privilégio de poder também ter acesso à outra vida. Os túmulos são, por isso, um dos marcos mais representativos da arte egípcia, lá são depositados as múmias ou estátuas (corpo físico que acolhe posteriormente a alma (ka) e todos os bens físicos do quotidiano que lhe serão necessários à existência após a morte;

- É profundamente simbólica. Todas as representações estão repletas de significados que ajudam a caracterizar as figuras, a estabelecer níveis hierárquicos e a descrever situações. Do mesmo modo a simbologia serve à estruturação, à simplificação e clarificação da mensagem transmitida criando um forte sentido de ordem e racionalidade extremamente importantes;

- A harmonia e o equilíbrio devem ser mantidos, qualquer perturbação neste sistema é, consequentemente, um distúrbio na vida após a morte. Para atingir este objetivo de harmonia são utilizadas linhas simples, formas estilizadas e simplificadas, níveis rectilíneos de estruturação de espaços, manchas de cores uniformes que transmitem limpidez e às quais se atribuem significados próprios:

  • Preto (kem) - obtido a partir do carvão de madeira ou de pirolusite (óxido de manganésio do deserto do Sinai); associado à noite e à morte, mas também à fertilidade e à regeneração; era utilizado nas sobrancelhas, perucas, olhos e bocas. O deus Osíris era muitas vezes representado com a pele negra, assim como a rainha deificada Ahmés-Nefertari;
  • Branco (hedj) - obtido a partir da cal ou do gesso; cor da pureza e da verdade; era utilizado nas vestes dos sacerdotes e nos objectos rituais. As casas, as flores e os templos eram também pintados a branco;
  • Vermelho (decher) - produzido a partir de ocres; o seu significado é ambivalente: por um lado representa a energia, o poder e a sexualidade, por outro lado está associado ao maléfico deus Set, cujos olhos e cabelo eram pintados a vermelho, bem como ao deserto, local que os Egípcios evitavam; era a vermelho que se pintava a pele dos homens;
  • Amarelo (ketj) – obtido a partir do óxido de ferro hidratado (limonite); dado que o sol e o ouro eram amarelos, os Egípcios associaram esta cor à eternidade; as estátuas dos deuses eram feitas a ouro, assim como os objectos funerários do faraó, as máscaras por exemplo;
  • Verde (uadj) - produzido a partir da malaquite do Sinai; simboliza a regeneração e a vida; a pele do deus Osíris poderia ser também pintada a verde;
  • Azul (khesebedj) - obtido a partir da azurite (carbonato de cobre) ou do óxido de cobalto; associado ao rio Nilo e ao céu.

- A hierarquia social e religiosa traduz-se, na representação artística, na atribuição de diferentes tamanhos ás diferentes personagens, consoante a sua importância. Por exemplo, o faraó será sempre a maior figura numa representação bidimensional e a que possui estátuas e espaços arquitectónicos monumentais. Reforça-se assim o sentido simbólico, em que não é a noção de perspectiva (dos diferentes níveis de profundidade física), mas o poder e a importância que determinam a dimensão;

 - Embora a arte egípcia seja estilizada é também uma arte de atenção ao pormenor, de detalhe realista, que tenta apresentar o aspecto mais revelador de determinada entidade, embora com restritosângulos de visão. Para esta representação usaram apenas três pontos de vista pela parte do observador: de frente, de perfil e de cima, que cunham o estilo de uma forte componente estática, de uma imobilidade solene.
O corpo humano, sobretudo o de figuras importantes, é representado utilizando dois pontos de vista simultâneos, que oferecem maior informação e favorecem a dignidade da personagem: os olhos, os ombros e o peito representam-se vistos de frente e a cabeça e as pernas representam-se vistos de lado - Lei da Frontalidade.

 

O facto de, ao longo de tanto tempo, a arte egípcia pouco ter variado e se terem verficado poucas inovações, deve-se aos rígidos cânones a que os artistas tinham de obedecer e que, de certo modo, impunham barreiras ao espírito criativo individual.
A conjugação de todos estes elementos marca uma arte robusta, sólida, solene, criada para a eternidade.

 

 

 

 

PERIODO ARCAICO OU TINITA

 

- Até 2686 a.C.;

- Durante este período e após a descoberta da escrita, o Egipto já está unido e o seu desenvolvimento artístico acelera, estabelecendo os traços princípais e característicos da arte egípcia;

- Abandono do primitivismo formal;

- Algumas influências da arte mesopotâmica, especialmente nas fachadas de templos;

- Uso do adobe cozido ao Sol, substituído no final do período pela pedra.

 

Pirâmide de Djoser

 

 

Escultura do período Arcaico


 

 

ANTIGO IMPÉRIO

 

- 2686 - 2181 a.C.;

- A III Dinastia é remetida por muitos historiadores para o início do Antigo Império. Com a transição para a pedra surge também a arquitectura monumental e a vincada noção egípcia de eternidade vinculada ao faraó;

- A mastaba (capela com forma de um tronco de pirâmide) assume-se como o túmulo para particulares por excelência, inicialmente em forma quadrangular ou de pirâmide truncada (mais tarde pirâmide de degraus);

- A edificação assume um objectivo simbólico;

- Com o Império Antigo estabelece-se a calma e a segurança, bases ao próspero e veloz desenvolvimento da sociedade egípcia onde se estabelecem hierarquias governamentais;

- Durante a IV Dinastia edificam-se o monumental conjunto arquitectónico de Gizé (pirâmides de Quéfren, Quéops e Miquerinos) que fascinam pela sua impressionante construção; constrói-se a Esfinge (corpo de leão e cabeça humana, especialmente a de um Faraó), com dimensões gigantescas, que visa homenagear o poder do Faraó;

- Na V Dinastia as dimensões monumentais da arquitectura são reduzidas á escala humana.

 

Grande pirâmide de Gizé

 

Pirâmide de Quéops

 

 

Esfinge de Gizé com a pirâmide de Quéfren atrás

 

 

- Na escultura definiram-se duas tipologias de concepção: a estatuária real, onde se verifica um desejo de imponência; e a estatuária de particulares, com maior realismo e naturalismo;

 - As proporções do corpo humano tornam-se mais harmoniosas e equilibradas, e existe uma maior atenção ao pormenor;

- Caracteriza-se pelo estilo hierático (as figuras mais importantes tem maior altura do que as menos importantes), a rigidez, as formas cúbicas e a frontalidade;

- Gosto pelas estátuas-retrato de grande robustez pelo seu volume cúbico e imobilidade;

- As figuras apresentam-se de pé (com a perna esquerda ligeiramente à frente) ou sentadas (na V Dinastia surge a posição do escriva sentado de pernas cruzadas) e denota-se a diferente coloração da pele usada nas figuras masculinas (mais escura) e nas femininas (mais clara);

 

         

 

- Na decoração tumular propagam-se as representações realistas do quotidiano;

- Os materiais utilizados foram: dionte, granito, xisto, basalto, calcário e alabastro.

 

Tríade de Menkauré

 

 

- A escultura em relevo serviu dois propósitos fundamentais: glorificar o faraó (feita nos muros dos templos) e preparar o espírito dos defuntos, no seu caminho até á eternidade (feita nos túmulos).

 

 

 

- Na cerâmica, as peças ricamente decoradas do período arcaico foram substituídas por belas peças não decoradas, de superfície polida e com grande variedade de formas e modelos, destinadas a servir de objectos de uso quotidiano. Já as jóias eram feitas em ouro e pedras semipreciosas, com formas e desenhos inspirados na fauna e na flora.

 

 

PRIMEIRO PERÍODO INTERMEDIÁRIO

 

- 2181 - 2040 a.C.;

- Os tempos políticos conturbados reflectem-se também na arte tornando-a quase inextistente e com uma maior incidência nos textos literários, que expressam a revolução espiritual da época. Através das pilhagens de túmulos, a arte restrita aos faraós e figuras de maior importância passa para a mão do homem “mortal” que acredita ter o mesmo privilégio da vida eterna.

 

 

 

 

Publicado Por Cíntia Pontes às 17:32
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Sábado, 21 de Junho de 2008

A Arte da Antiguidade - Arte Mesopotâmica (4)

 

ARTE PERSA

 

 

A civilização Persa (século III até á sua queda em Ctesifonte, em 640 a.C.) era predominantemente guerreira, característica que se reflete nas suas manifestações artísticas, como a representação de criaturas míticas, fantásticas, quase sempre monumentais, poderosas figuras com cabeça humana e corpo de leão, touro ou águia., simbolizando o seu grande poder militar. O esplêndor da sua arte pode ser observado em ruínas de palácios imponentes e luxuosamente decorados, com jardins internos para divertimento dos soberanos.

 

- A arquitectura teve dois grandes momentos: o primeiro corresponde à dinastia dos Aquemênidas (550 a 331 a.C.), à qual pertencia Ciro, o Grande. Deste período restam as ruínas de Pasárgada. Com a ascensão ao poder dos Selêucidas, as obras arquitectónicas persas receberam uma influência marcante do estilo grego. Esta fase histórica teve início com a conquista da Pérsia por Alexandre Magno em 331 a.C. Mas foi durante a dinastia Sassânida, que se iníciou em 226 d.C. e durou até 641, com a chegada do Islã ao poder, que ocorreu um renascimento na arquitectura. Os principais sinais históricos desta época são as ruínas dos palácios de Ciro e de Dário, em Persépolis, e os de Firuzabad, Girra e Sarvestan e as amplas salas abóbadadas de Ctesifonte; recebeu influências das artes assíria, babilônica, egípcia e grega.

 


Palácio de Dario

 


- Enquanto que, no reinado dos Aquemênidas a escultura teve características monumentais, do período sassânido restou apenas um modelo escultural, a monumental imagem de um rei fantasma, nas proximidades de Bishapur.

- As artes decorativas, durante a primeira dinastia, eram usadas nos artigos de luxo, tais como vasilhas de ouro e prata e jóias trabalhadas.

 

   

    Vaso com quatro dançarinos                         Cabeça de cavalo

 

Moeda em ouro

 

- A pintura sassânida desenvolveu-se amplamente – há relatos sobre milionários persas que decoravam as paredes de suas mansões com imagens de heróis iranianos.

 

       

 

Pintura a fresco

 


-
A cerâmica também imprimiu sua marca na história da arte persa. Já avançada na era dos Aquemênidas, continuou a desenvolver-se na Dinastia Sassânida.

 

 


 

 

Publicado Por Cíntia Pontes às 22:33
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Quarta-feira, 18 de Junho de 2008

A Arte da Antiguidade - Arte Mesopotâmica (3)

 

ARTE BABILÔNICA

 

 

Durante os cinquenta anos que se seguiram á queda de Nínive, no ano 612 a. C., registou-se o último florescimento da cultura mesopotâmica no Sul do Iraque, sob a dinastia dos reis babilônicos. Nos reinados de Nabopolassar e do seu filho Nabucodonosor II, a actividade arquitectónica foi bastante intensa. A Babilônia foi ampliada e cercada por uma linda dupla de fortificações. No interior da cidade os edifícios públicos eram dispostos ao longo de uma alameda que conduzia, pelo centro da cidade, ao templo do seu Deus protector, Marduk. As fachadas da famosa porta de Ishtar foram decoradas com figuras de animais em ladrilho esmaltado. Essa decoração foi também usada no pátio de honra do magnífico palácio do rei Nabucodonosor.

 

  

        Porta de Ishtar                                                 Arquitectura babilônica

 

Escultura babilônica (A Rainha da Noite)

 

 

Publicado Por Cíntia Pontes às 20:01
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Sábado, 7 de Junho de 2008

A Arte da Antiguidade - Arte Mesopotâmica (2)

 

ARTE ASSÍRIA

 

- Desenvolveu-se na antiga Assíria, no Norte da Mesopotâmia;

- Infuências sumérias;

- Construções arquitectónicas grandiosas e fartamente ornamentadas com pinturas murais e relevos escultóricos, predominando a construção do Zigurate, que era o centro religioso, cultural e político das cidades assírias; uso do tijolo vitrificado policromático. Os grandes palácios ressaltam o novo interesse por edifícios laicos e retratam a grandeza dos reis assírios. São construídos sobre uma plataforma, têm portas ladeadas por esculturas gigantestas de pedra e aposentos decorados com relevos;

 

 

Baixo-relevo com touro alado com cabeça humana

 

 

- Os assírios foram um povo guerreiro e dedicaram a sua arte a glorificar os seus reis e exércitos; o tipo de trabalho mais importante nesse sentido foram as sequências de painéis de pedra esculpidos com baixos relevos que representavam cenas militares e de caça. Este tipo de relevo narrativo, disposto á volta de salões governamentais e pátios, foi uma das grandes invenções assírias que contruibuíram para o mundo da arte; o trabalho mais caracteristico da escultura assíria foram as esculturas de portais de palácios, impressionantes e mágnificas figuras de guardiões, como touros e leões com cabeça humana, colocadas em ambos os lados de portais arqueados.

 

 Relevo que representa o transporte do cedro libanês

 

 

Publicado Por Cíntia Pontes às 23:03
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